segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Três janelas


É a partir destes três objetos-documentos que pretendemos conversar sobre os atores sociais do sistema educacional, suas relações e como eles tem sido incluídos/excluídos do grande debate sobre a qualidade da educação no país. As janelas estão abertas, cada uma se abre para uma paisagem diferente  e podemos respirar por elas, não precisamos mais morrer sufocados.
Diário de Classe I

“Quero melhor não só pra mim, mas pra todos”. É assim que Isadora Faber, de 13 anos, anuncia sua página no Facebook dedicada a mostrar os problemas enfrentados pela escola pública em que estuda. A aluna Isadora estuda na Escola Maria Tomázia Coelho, no Santinho, em Florianópolis e resolveu criar a página no Facebook intitulada como “Diário de Classe”, mas não imaginava a imensa repercussão que ela teria.
Nesse longo processo de reprodução simbólica que se tornou a educação brasileira, tanto alunos quanto professores, estão cansados e desmotivados, distantes e em eterno conflito. Somado a isso está o descaso das políticas públicas que deixam faltar até mesmo o básico como saneamento, material, estrutura, alimentação adequada e tantas outras coisas que se alternam em rodízios há décadas.

Isadora teve uma atitude corajosa, motivada pelo cansaço da inação. E encontrou na Web um cenário propício para o compartilhamento de suas ideias e desabafos, e um imenso público que também quer falar, contar suas experiências e buscar uma transformação real. A cooperação é superior à competição e as tecnologias permitem cooperar em larga escala. (Manuel Castells).
Essa experiência nos prova o quanto a cooperação na web dá resultados, e como as pessoas podem se unir para aprenderem juntas,  compartilharem e trabalharem por soluções.
Para aqueles que gostam de cultivar o hábito confortável de apenas reclamar e nada fazer, o cerco está fechando. Pois a hora da vez é para quem quer realmente mudar, pra quem quer realmente fazer!
Estudante Isadora Faber

LA EDUCACIÓN ESTÁ PROHIBIDA!
“Muito pouco do que se passa na nossa escola é verdadeiramente importante. Nos ensinam a estar longe uns dos outros e a competir. Pais e professores não nos escutam. Por tudo isso dizemos: basta! A educação está proibida”. É esse o texto que alguns alunos elaboraram para ler em um dos eventos comemorativos de uma escola, no entanto a diretora não aprova dizendo que esse texto contém palavras agressivas e que se trata de profunda falta de respeito com a escola. Pede para que modifiquem e suavizem as palavras escolhidas. Um dos alunos diz: “E desde quando dizer o que se pensa é falta de respeito?”.
A Educação Proibida é um documentário que se propõe a questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação, mostrando diferentes experiências educativas, não convencionais que propõem a necessidade de um novo modelo educativo.
Pra que serve a escola? Ela foi inventada em algum momento na história?  O documentário nos relembra e alerta para as condições em que o momento educacional, como o conhecemos, nasceu. Fruto de um modelo espartano de educação militar, em que aos reprovados eram garantidos os castigos e torturas. Posteriormente, no século XIX, esse modelo foi utilizado pela Prússia para criar “bons súditos”, instruídos para a obediência, a disciplina, o regime autoritário, em uma sociedade fortemente dividida por castas e classes sociais. Em Atenas, não existiam escolas, grupos se reuniam para discutir livremente diversos assuntos. A instrução obrigatória era aplicada apenas aos escravos. Cidadãos ou súditos?
Esse modelo se expandiu para todo o mundo, pois se mostrou “eficiente”. Eficiente para quem?
SEGREDOS DE ESTADO
Histórias que não se pode contar pra ninguém...
Todo mundo sabe o que está acontecendo. Mas ninguém faz nada! Porque os professores temem em falar sobre a escola? “Uma dor que não tem fundo...” (do Conto “Boca do Lixo”, de Rodrigo Ciríaco).  Os professores e diretores têm medo! Medo de retaliação, de perder o emprego ou o cargo.
Segredos de Estado é um documentário que aborda a ausência dos professores da rede estadual de São Paulo no debate público sobre educação. Professores são intimidados a não dar entrevista. Muito em função de uma suposta Lei da Mordaça - revogada no Estado SP em setembro de 2009.
O filme foi apresentado como trabalho de conclusão de Bruno Meirelles no curso de jornalismo da ECA/USP, sob orientação do professor Renato Levi.
Jornalistas de grandes revistas e jornais confessam receber ligações de professores e diretores de escola que preferem não se identificar, mas denunciam os diversos problemas que ocorrem nas escolas.
É a partir destes três objetos-documentos que pretendemos conversar sobre os atores sociais do sistema educacional, suas relações e como eles tem sido incluídos/excluídos do grande debate sobre a qualidade da educação no país. As janelas estão abertas, cada uma se abre para uma paisagem diferente  e podemos respirar por elas, não precisamos mais morrer sufocados.
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

O encontro será no dia 15/09 às 10hs – on line.
Link para acesso ao debate: http://www.livestream.com/i9areduc4
O link será aberto no dia do evento!
EVENTO GRATUITO!
Sugestão de leitura para o debate :)
1. Conheça o longa-metragem independente La Educación Prohibida (2h25 min) http://migre.me/aBiN6
2. “Quero melhor não só pra mim, mas pra todos”. Isadora Faber e o polêmico Diário de Classe http://migre.me/aBiOm
3. "Segredos de Estado" (58 min) - um documentário que aborda a ausência dos professores da rede estadual de São Paulo no debate público sobre educação. http://metafora.me/content/segredos-de-estado%20

Realização: REDE INOVAREDUCA

Mobilização e coragem


Contribuição de Hernani Dimantas
Florianópolis precisou apenas de uma menininha de 13 anos para entender o que são as politicas da multidão. Isadora Faber fez apenas o óbvio. Colocou na Internet. A mobilização que acontece a partir daí não é desproposital. 244 mil pessoas curtiram o diário de classe. E assim, são notificadas de qualquer movimento. A secretaria, a escola, os professores até que tentaram intimidar. Mas entenderam o recado e preferiram investir no bom senso. Todo dia recebo novas recauchutagens no FB. O telefone agora funciona, os banheiros estão limpos. O que mais é necessário?
Bem, isso parece ingênuo. No entanto, faz quase 20 anos que Linus Torvalds colocou na internet os primórdios do Linux. Ele colocou seu conhecimento no campo de força. E as pessoas reagiram positivamente. A internet potencializa a colaboração. A grande sacada do Linus Torvalds não foi o Linux propriamente dito, mas a disponibilização de um projeto para ser discutido, implementado, melhorado, deletado, editado ou apenas dialogado. A  comunidade de desenvolvedores construiu um sistema operacional viável. E subversivo. Pois rompeu com o modelo de produção de software.
O Linux é a resposta da multidão. Foi criado pela colaboração entre pessoas comuns. Envolveu centenas de programadores espalhados pelo mundo. Foi concebido num outro paradigma. De baixo pra cima. E em rede, onde quem faz decide.
A menininha fez. Mostrou que é possível publicar sem pedir permissão. Liberou a voz para alegria dos ativistas e tristeza de quem não tem interesse em mudar. Ela também colocou a escola no campo de força. Os resultados imediatos já estão sendo colhidos. A maquiagem está funcionando. A mobilização, no entanto, é de longo prazo. Mas inexoravelmente vai romper o sistema que faz da criança um produto de massa.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

DEBATES

WEBNÁRIO MOBILIZAÇÃO E CORAGEM! REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO!

Tema: FILME: LA EDUCACIÓN PROHIBIDA


Onde: ONLINE - Link para acesso ao debate: http://www.livestream.com/i9areduc4


O link será aberto no dia do evento!

Quando: 15/09/2012  às 10h (Sábado)


Um Webnário é uma conversa pela web, descontraída e entre pessoas interessadas no tema. :)

EVENTO GRATUITO!

Sugestão de leitura para o debate :) 

1. Conheça o longa-metragem independente La Educación Prohibida (2h25 min) http://migre.me/aBiN6

2. “Quero melhor não só pra mim, mas pra todos”. Isadora Faber e o polêmico Diário de Classe http://migre.me/aBiOm

3. "Segredos de Estado" (58 min) - um documentário que aborda a ausência dos professores da rede estadual de São Paulo no debate público sobre educação. http://metafora.me/content/segredos-de-estado 

Realização: REDE INOVAREDUCA


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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pedagogia positiva e escala de valores

Tião Rocha

Pedagogía positiva y escala de valores, debate com Tião Rocha e o moderador Miguel Ángel Guerra
Tião Rocha é Antropólogo, educador popular e folclorista. Fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento - CPCD, organização não governamental sem fins lucrativos, criada em 1984, em Belo Horizonte/MG.
Miguel Ángel Guerra dedica-se ao ensino desde 1990. Atualmente é diretor do Colégio Valdefuentes, em Madrid (Espanha). Já trabalhou com Didática das Ciências, organização e liderança escolar e com programas internacionais sobre Gestão de TICs.
O debate “Pedagogía positiva y escala de valores” aconteceu dia 04 de setembro, online, organizado pelos integrantes do projeto EducarRede, da Fundação Telefônica. Tião inicia sua fala introduzindo o nosso contexto da era digital marcada por um intenso movimento de integração com as tecnologias na educação. Mas ele pergunta “Como podemos considerar e valorizar a pedagogia social? Como podemos introduzir valores desde a educação sem deixar de atender a nenhum aspecto humano”?
A matéria prima de todo processo educacional é a cultura. Ela é algo palpável, factível, público e microscópico. Aprender os saberes, os fazeres e os quereres das crianças em uma comunidade é condição sine qua non para o desenvolvimento de um ensino de qualidade. Os pilares de uma sociedade são a cultura, a educação e o desenvolvimento.
A cultura é tudo aquilo o que as pessoas fazem, sabem e querem, é o que elas trazem como herança. A educação é entendida por Tião como algo plural que deve gerar aprendizagem, uma vez que a educação é um sistema de troca. A educação também é instrumento de desenvolvimento das oportunidades e das escolhas.
Slide da apresentação de Tião Rocha
Slide da apresentação de Tião Rocha
Entre a escola, a família e a comunidade, temos valores que são articulados com a cultura, a educação e o desenvolvimento, conforme a figura abaixo. A família, a escola e a comunidade são os espaços estratégicos para que se estabeleçam a cultura, a educação e o desenvolvimento. A Família é o espaço do acolhimento. A comunidade é um conceito amplo que envolve a convivência, viver com outros e seus valores culturais. A escola é um espaço que define seus próprios objetivos. Esse desenho pode formar uma pedagogia ou uma plataforma de ensino.
Assim formam-se os pilares da educação são: aprender a ser, a conviver, a fazer e a conhecer.
Slide da apresentação de Tião Rocha
Slide da apresentação de Tião Rocha

O espaço da aprendizagem de aprender a ser está articulado entre a família e a comunidade. O pilar aprender a fazer está articulado entre a comunidade, a escola e o desenvolvimento. Os pilares conhecer e conviver estão entre a cultura, família, a escola e a educação. Fomos acostumados a olhar para cada parte separadamente, mas é preciso se pensar em uma forma mais integradora de observar esses elementos. Essa transformação pode substituir a ideia de família por acolhimento, a ideia de comunidade por convivência, de solidariedade e diversidade, a ideia de educação por aprendizagem, atitudes, habilidades e conhecimentos, e  a ideia de desenvolvimento por criação de oportunidades, participação, decisão e porque não pensar na palavra “cooperação e autonomia”.
E o desenho se transforma quando transferimos os valores até que encontramos no centro os educadores (estrela).
Slide da apresentação de Tião Rocha
Slide da apresentação de Tião Rocha

A melhor pedagogia é aquela em que os alunos aprendem de tudo de forma prazerosa. ''El aprendizaje no debe ser dolorosa, sino ludico'', nos diz Tião. É possível aprender sem escola, em qualquer espaço. O melhor educador cria sua própria metodologia e não apenas reproduz o mesmo que todos. E já que educação pressupõe inclusão, deve-se pensar em valores globais: a inovação, a humanização e a viabilidade para todos! Não se pode perder ninguém. E o papel do educador está bem no centro!
Precisamos mudar das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) para as TACs - Tecnologias de Aprendizagem e Convivência. Precisamos que os jovens estudem a ética, a humanidade, e não apenas matemática ou português. Hoje falamos em aldeias globais, os jovens são filhos do mundo, todos temos que nos sentir responsáveis por eles. Crianças = Patrimônio da humanidade. Violência zero, corrupção zero, degradação ambiental zero, - isto é uma questão de ética para Tião.
Slide da apresentação de Tião Rocha
Slide da apresentação de Tião Rocha

A educação não é a escola, a escola é um meio. Educação é um fim a escola é um meio - os meios estão a serviço dos fins - os humanos nasceram para ser educados e felizes. Não é função de a escola formar gente para o mercado - isto é parte de suas atividades, mas só uma parte. É possível ter educação em qualquer espaço. Mas é impossível ter boa educação sem BONS educadores. Somente os bons educadores fazem uma boa educação. Não é a universidade que forma os educadores... ''Ou criamos uma Sociedade Educativa ou nós não teremos nem cidade, nem sociedade, nem ser humano'', Tião. O professor ensina e o educador é aquele que aprende. O professor precisa assumir que é um educador e que precisa aprender e estudar a vida toda. Um bom médico precisa entender de saúde e não apenas de doenças. Assim também precisam agir os professores, não pensar somente nas carências.
Trabalhar com iniciativas semelhantes à Carta da terra é uma possibilidade de se construir um mundo novo. A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica.
Uma cidade educadora e justa é aquela em que as bibliotecas funcionam 24 horas, como um hospital. É tão importante uma biblioteca 24 horas quanto um hospital 24horas!
É preciso criar espaços permanentes de aprendizagem. Tião não é contra a escola ou a universidade, mas sim contra as más escolas e más universidades. Todos tem potencialidade para se tornar educadores - o fundamental é ter vontade de aprender - A condição essencial para se formar um bom educador é a vontade: de aprender, de estudar, de fazer, de mudar. A capacidade de aprender a cultura do outro é o que faz um bom educador. Não se trata de visão romântica, é possível sim mudar a visão, e tudo começa nauniversidade que forma professores e não educadores.
Tião exemplifica dizendo que toda criança que nasce tem potencialidade para falar muitos idiomas, e de tocar todos os instrumento, no entanto a maioria não terá OPORTUNIDADE de desenvolver essas habilidades. A solidariedade pode ser aprendida e praticada. Tudo depende da vontade que quem quer aprender. Educadores devem querer aprender!
Para assistir a palestra completa clique no link: http://avirtual.telefonica.es/p19815380/

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Se você pensa que rede social é coisa nova...


Na contemporaneidade todos falam em redes sociais ou redes de relacionamento. E até parece que são termos novos, mas é importante entender a diferença entre as redes sociais e os sites de redes sociais na Internet. O homem já vivia em sociedade, e em estabelecia laços sociais, antes mesmo da invenção da internet, do Orkut e do Facebook.
Todo o grupo de pessoas com que o homem se comunica forma a sua rede de contatos, variando entre amigos, contatos profissionais, colegas, conhecidos, parentes, vizinhos, etc. O sociólogo espanhol Manuel Castells conceitua a sociedade contemporânea da seguinte maneira: A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa sociedade é caracterizada [...] por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente diversificado. [...] Essa nova forma de organização social, dentro de sua globalidade que penetra em todos os níveis da sociedade, está sendo difundida em todo o mundo.
O cenário da Web, globalizado e glocalizado proporciona enorme ampliação na comunicação entre as pessoas, não importando a localização geográfica. Isso possibilita maior sociabilização entre indivíduos e grupos.
E porque nos aproximamos e formamos uma rede de contatos, seja em pela web ou ao vivo? Somos aproximados por simpatias, afetos, curiosidades, necessidades, interesses comerciais, etc e assim formamos nossos laços sociais e relacionamentos.
A web facilita essa comunicação porque nos oferece comodidade e um distanciamento seguro (e conveniente).
Raquel Recuero, reflete sobre o conceito de rede social a partir de Wasserman e Faust; Degenne e Forse, e nos diz que “Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós das redes) e suas conexões(interações ou laços sociais).
Na figura acima temos os pontos, os nós, as pessoas (representado pelas bolinhas), as intersecções. Já os traços representam a quantidade de conexão, de contato, que ligam os pontos/pessoas/perfis. Uma pessoa pode estar conectada com várias outras pessoas que também estão conectadas a várias pessoas e assim por diante. Em uma rede social na internet como o Facebook, por exemplo, temos um “perfil” que seria a nossa representação, o nosso registro e através do qual podemos interagir com o perfil de outras pessoas, no mundo todo.
Uma “rede” é a interconectividade entre esses elementos. Por exemplo, você já ouviu falar em network. Network é a combinação das palavras net (rede) e work (trabalho), ou seja, uma rede de contatos profissionais.
As comunidades e os laços sociais existem fora das redes e também se formam a partir das redes. Comunidade, segundo o Dicionário Houaiss é o conjunto de pessoas que habitam um mesmo local e/ou ao mesmo tempo, e que possuem características comuns. É fácil agora entender que “comunidade” é também uma “rede social”.
O doutor em História da Filosofia pela Université de Paris IV, Rogério da Costa, reflete que “se solidariedade, vizinhança e parentesco eram aspectos predominantes quando se procurava definir uma comunidade, hoje são apenas alguns dentre os muitos padrões possíveis das redes sociais. [...] Estamos diante de novas formas de associação, imersos numa complexidade chamada rede social, com muitas dimensões e que mobiliza o fluxo de recursos entre inúmeros indivíduos distribuídos segundo padrões variáveis. [...] Digamos que, anteriormente, os indivíduos se deslocavam de um lugar a outro para interagir com sua rede pessoal, mas, atualmente, eles vivem uma dinâmica de relação em que saltam de uma pessoa a outra numa rede virtual de contatos. [...] isso não aponta para uma mudança em direção ao isolamento social, e sim na direção de uma maior flexibilidade no uso de redes sociais.
Essa flexibilidade permite às pessoas entrar em contato com um imenso número de pessoas, tanto conhecidas quanto desconhecidas. O motivo do contato pode ser a amizade, pode ser uma possibilidade de emprego, interesse amoroso, estudo, entre tantos outros motivos. As características desse tipo de contato via Web é uma maior frequência, facilidade, autonomia e ampliação da rede de contatos. Contatos podem ser feitos e desfeitos naturalmente, conforme as necessidades. Um aluno em um curso na web pode conversar com professores e alunos de outros países; pode compartilhar e receber informações com rapidez, livros, gráficos, sites, contatos, vídeos e etc.
A vantagem desse tipo de relação tem sido aprofundada pelas organizações, tanto com ou sem fins lucrativos, mas principalmente as organizações que possuem em sua missão e visão objetivos culturais e educacionais, para os quais o compartilhamento de informações é fundamental.

CORAGEM!


“Quero melhor não só pra mim, mas pra todos”. É assim que Isadora Faber, de 13 anos, anuncia sua página no Facebook dedicada a mostrar os problemas enfrentados pela escola pública em que estuda.  A aluna Isadora estuda na Escola Maria Tomázia Coelho, no Santinho, em Florianópolis e resolveu criar a página no Facebook intitulada como “Diário de Classe”, mas não imaginava a imensa repercussão que ela teria.
“Na tarde de segunda-feira (27), quando o G1 publicou a primeira reportagem sobre o caso, o Diário de Classe tinha 2.388 seguidores. Até às 17h de quarta-feira (29), a página no Facebook já tinha 161.077 curtidas”. (Fonte) E o número não pára de subir, como vemos na imagem.
Isadora se inspirou na escocesa Martha Payne, de apenas 9 anos. Martha criou o blog NeverSeconds (“nunca repetir”) , um registro dos almoços que sua escola oferece. Os alunos fotografam os pratos todos os dias e avaliam desde o sabor até o quanto saudáveis os pratos são. Leia mais, aqui. A história rendeu o que falar e as autoridades locais tentaram impedir o projeto, mas isso não aconteceu. O projeto foi ampliado e hoje Martha interage com crianças de todo o mundo e ajuda a arrecadar dinheiro para o combate à fome.
O ato de Isadora gerou diversas opiniões, a iniciativa foi duramente criticada pela escola onde ela estuda e por amigos. Mas muitos foram e são aqueles que apoiam, prova disso são os inúmeros comentários, “curtidas”, compartilhamentos, mensagens e iniciativas parecidas que têm surgido e contado com o incentivo da estudante. Com o apoio de sua Mãe, Mel Faber, Isadora agora têm publicado as mudanças que já estão acontecendo por conta das denúncias, melhorias e soluções estão aparecendo.
“Muito pouco do que se passa na nossa escola é verdadeiramente importante. Ensinam-nos a estar longe uns dos outros e a competir. Pais e professores não nos escutam. Por tudo isso, dizemos: basta! A educação está proibida”. É esse o texto que alguns alunos elaboraram para ler em um dos eventos comemorativos de uma escola, no entanto a diretora não aprova dizendo que esse texto contém palavras agressivas e que se trata de profunda falta de respeito com a escola e pede para que modifiquem e suavizem as palavras escolhidas. Um dos alunos diz: “E desde quando dizer o que se pensa é falta de respeito?”. (Leia mais)
Nesse longo processo de reprodução simbólica que se tornou a educação brasileira, tanto alunos quanto professores, estão cansados e desmotivados, distantes e em eterno conflito. Somado a isso está o descaso das políticas públicas que deixam faltar até mesmo o básico como saneamento, material, estrutura, alimentação adequada e tantas outras coisas que se alternam em rodízios há décadas.
Isadora teve uma atitude corajosa, motivada pelo cansaço da inação. E encontrou na Web um cenário propício para o compartilhamento de suas ideias e desabafos, e um imenso público que também quer falar, contar suas experiências e que busca uma transformação.  A cooperação é superior à competição e as tecnologias permitem cooperar em larga escala. (Manuel Castells). Essa experiência nos prova o quanto a cooperação na web dá resultados, e como as pessoas podem se unir para aprenderem juntas, compartilharem e trabalharem por soluções.
Agora o professor, o pedagogo, os diretores de escola, os governantes foram colocados em cheque.
O novo professor acabou descobrindo-se mais autônomo e ele tem entendido que os alunos também devem ser assim, refletindo mais do que memorizando. Aí então ele percebeu que quem estava ensinando ele a ser assim e inovar eram os próprios alunos, que além de autônomos, são colaboradores por natureza. “O professor crítico-reflexivo de sua prática trabalha em parceria com os alunos, numa construção cooperativa do conhecimento. Os novos ambientes de aprendizagem informatizados ao utilizarem o enfoque reflexivo em sua prática pedagógica colaboram para o desenvolvimento de pensadores autônomos, mas que, ao mesmo tempo, valorizam a cooperação, a parceria, o compartilhamento entre os diferentes aprendizes, as interações individuais e coletivas mediante o desenvolvimento de operações de reciprocidade e complementaridade”. Dewey, J., no livro Vida e Educação.
Aqueles que gostam de cultivar o hábito confortável de apenas reclamar e nada fazer, o cerco está fechando. Pois a hora da vez é para quem quer realmente mudar, pra quem quer realmente fazer!
Para discutir o filme e experiências como as de Isadora, o InovarEduca propõe um debate sobre o filme, no dia 15 de setembro de 2012, às 10h, em nossa comunidade virtual “Vozes da Inovação”. Você é nosso convidado!
Entre e cadastre-se para poder participar! :) Divulgue, compartilhe e traga seus amigos! Participação gratuita! Dúvidas? Escreva para nós: inovareduca@gmail.com

Conheça o longa-metragem independente La Educación Prohibida


“Muito pouco do que se passa na nossa escola é verdadeiramente importante. Nos ensinam a estar longe uns dos outros e a competir. Pais e professores não nos escutam. Por tudo isso dizemos: basta! A educação está proibida”. É esse o texto que alguns alunos elaboraram para ler em um dos eventos comemorativos de uma escola, no entanto a diretora não aprova dizendo que esse texto contem palavras agressivas e que se trata de profunda falta de respeito com a escola e pede para que modifiquem e suavizem as palavras escolhidas. Um dos alunoz diz: “E desde quando dizer o que se pensa é falta de respeito?”.
A Educação Proibida é um documentário que se propõe a questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação, mostrando diferentes experiências educativas, não convencionais que propõem a necessidade de um novo modelo educativo.
Trata-se de um projeto realizado por jovens que partiram da visão de quem aprende e que embarcaram numa pesquisa que cobre 8 países realizando entrevistas com mais de 90 educadores de propostas educativas alternativas. O filme foi financiado coletivamente graças a centenas de co-produtores e tem licenças livres que permitem e incentivam sua cópia e reprodução.
O filme se propõe alimentar e lançar um debate de reflexão social sobre as bases que sustentam a escola, promovendo o desenvolvimento de uma educação integral centrada no amor, no respeito, na liberdade e na aprendizagem.
O problema da educação começa em sua concepção básica. Pra que serve a escola? Ela foi inventada em algum momento na história, não? Sim, ela foi. E o documentário nos relembra e nos alerta para as condições em que o momento educacional como o conhecemos nasceu, fruto de um modelo espartano de educação militar, em que se desfaziam dos reprovados, com castigos e torturas. Posteriormente, no século XIX, esse modelo foi utilizado pela Prússia para criar “bons súditos”, instruídos para a obediência, a disciplina, o regime autoritário, em uma sociedade fortemente dividida por castas e classes sociais. Em Atenas, não existiam escolas, grupos se reuniam para discutir livremente diversos assuntos. A instrução obrigatória era aplicada apenas aos escravos. Cidadãos ou súditos?
Esse modelo se expandiu para todo o mundo, pois se mostrou “eficiente”. Eficiente para quem?
Imagem do filme La Educación Prohibida
Imagem do filme La Educación Prohibida

A escola precisa representar um espaço de crescimento pessoal e articular todo o tipo de desenvolvimento humano, não apenas determinadas áreas do conhecimento. Todos falam em paz, mas não se educa para a paz, e sim para a guerra. Solidariedade, comunidade, igualdade, liberdade, são palavras bonitas que sempre aparecem nas redações e na fala dos professores, no entanto, o sistema escola não tem funciona assim. Tudo o que é incentivado é a concorrência, o individualismo, o condicionamento, a violência emocional e o materialismo. A lógica aplicada na avaliação é comparar, mas os alunos não são números, não são perdedores ou ganhadores, aprender não é competir!
Nesse longo processo de reprodução simbólico tanto alunos quanto professores estão cansados e desmotivados, distantes e em eterno conflito.
Imagem do filme La educación prohibida
Imagem do filme La educación prohibida

Não deixe de assistir o filme, ele está disponível gratuitamente para ser assistido online ou baixado, no site http://www.educacionprohibida.com/.
O InovarEduca propõe um debate sobre o filme, no dia 15 de setembro de 2012, às 10h, em nossa comunidade virtual “Vozes da Inovação”. Você é nosso convidado!
Entre e cadastre-se para poder participar! :) Divulgue, compartilhe e traga seus amigos! Participação gratuita! Dúvidas? Escreva para nós: inovareduca@gmail.com

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