Só para lembrar o que é uma startup? Muita gente pensa que
uma startup é toda empresa que está em fase inicial de implantação, mas não é
bem isso. Segundo a Associação Brasileira de Startups o termo refere-se a “uma
empresa de base tecnológica, com um modelo de negócios repetível e escalável,
que possui elementos de inovação e trabalha em condições de extrema
incerteza”.
Em outras palavras trata-se de um tipo peculiar de empreendimento,
em que “as empresas de pequeno porte, recém-criadas ou ainda em fase de
constituição, com atividades ligadas à pesquisa e desenvolvimento de idéias
inovadoras, cujos custos de manutenção sejam baixos e ofereçam a possibilidade
de rápida e consistente geração de lucros. Além disso, o negócio desenvolvido
pela startup deve ser viável, ou seja, que ele será não só sustentável, mas que
apresente também potencial de sucesso”. (Sebrae)
Esse tipo de empreendimento tem se adequado a diversas
iniciativas na área da educação online. Conforme o site Mashable existem cinco
startups norte-americanas de educação que têm revolucionando o ensino virtual e
merecem destaque!
2tor: Empresa parceira das universidades Georgetown e
Washington University in St Louis, funciona desde 2008 oferece o serviço de
apoio na elaboração e implantação de cursos on-line personalizados e acessíveis
por celulares e tablets. A Forbes considerou a 2tor uma das dez starups mais
inovadoras do mundo, concorrendo com a Instagram e o Pinterest.
Udemy: Já a Udemy é uma plataforma que oferece cursos online
(pagos e gratuitos) que podem ou não ser ligados a instituições de ensino e que
trabalham sob o formato crowdlearning, um modelo coletivo onde os alunos
interagem, compartilham e sugerem aulas. O diferencial é que a empresa recebe
sugestões de cursos e os interessados podem reunir vídeos, Power Points,
arquivos em zip, áudio ou PDF. São 15 áreas contempladas, incluindo tecnologia
(com cerca de 300 opções), artes e linguagens. O destaque vai para o curso
gratuito “Ideas Come From Everywhere”, propostas pela ex-executiva da Google,
Marissa Mayer. Esse curso tem quase 10 mil alunos.
EdX: Trata-se de uma iniciativa que surgiu em maio, entre
Harvard e o MIT e que hoje conta também com a UC Berkeley, leva ensino on-line
gratuito para pessoas de qualquer parte do globo. As inscrições já estão
abertas e oferecem sete opções, com e sem pré-requisitos de conhecimento. Outra
empresa que segue o mesmo modelo é a Cousera que trabalhava com disciplinas das
universidades de Staford, Pennsylvania, Michigan e Princeton e atualmente conta
mais outras 12 parcerias.
Voxy: Esta empresa trabalha com uma plataforma de ensino em
línguas estrangeiras de forma bastante natural, contextualizada e isso inclui
com certeza o uso das tecnologias móveis que fazem parte do cotidiano dos
alunos. Desde que foi lançada, em janeiro de 2011, a Voxy já aderiu um milhão e
meio de usuários em mais de 20 países.
Noodle: A empresa Noodle tem uma proposta diferente e
pioneira, ela oferece uma ferramenta de busca especializada para a navegação em
sites sobre educação que funciona como uma curadoria de informação.
Nesse vídeo Hernani Dimantas fala sobre remuneração por trabalhos realizados via internet. Muitos trabalhos são realizados em busca de reconhecimento e não exatamente remuneração financeira. O tempo gasto antigamente em frente a televisão agora é investido em navegação pela web. Hernani cita o autor Clay Shirky e o seu livro “Cognitive Surplus: Creativity and Generosity in a Connected Age” (2010) que reinventou o conceito de ócio criativo, originalmente desenvolvido pelo sociólogo italiano Domenico de Masi.
O amadorismo de se fazer o que se ama impulsiona a inovação e as mudanças necessárias. No amadorismo é comum que as pessoas criem suas próprias ferramentas ao invés de aceitar estruturas prontas, dando a luz a projetos pequenos ao invés de grandes elefantes brancos, e, embora sejam projetos pequenos, produzem resultados mais interessantes. Surge aí um novo conceito de trabalho, emprego e produto.
O vídeo acima é a primeira parte da palestra 2º Encontro InovarEduca, saiba mais aqui.
Hernani é artista, escritor e ativista. Desde 1997 tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a Internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado à troca de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador do projeto MetaReciclagem. Fundador do lixoeletronico.org.
O tempo da internet é outro. É assim que Hernani Dimantas inicia esse vídeo que trata sobre a colaboração na rede e o novo conceito de tempo na virtualidade. As pessoas estão em tempos diferentes. Cada pessoa tem a oportunidade de descobrir coisas e se apropriar de conhecimentos relevantes em seu próprio ritmo. A colaboração em rede não quer dizer exatamente que todas as pessoas estejam trabalhando juntas. Hernani fala sobre o seu segundo livro, Linkania, que vem de uma ideia de cidadania. E como pensar em cidadania em mundo onde existe uma rede como o facebook, maior do que qualquer país, onde todos vivem de links, como então imagina um ser humano consegue estar em rede de forma participativa e autônoma? Hernani resume: “Linkania... é isso. A cidadania sem cidades. A descentralização. Ação local e conexão global”.
E continua refletindo que “essas relações desvelam o perfil. A identidade cultural passa a ser uma representação de indicadores. Número de amigos no Facebook, número de posts, seguidores no twitter. Para existir online você precisa ser visto. 'Hoje, no entanto, o pós- fordismo e o paradigma imaterial da produção adotam a performidade, a comunicação e a colaboração como características centrais. A performance foi posta em ação. Toda forma de trabalho que produz um bem imaterial, como uma relação ou afeto, resolvendo problemas ou proporcionando informação, do trabalho de vendas aos serviços financeiros, é fundamentalmente uma performance: o produto é o próprio ato em si' (Hardt e Negri, 2005). A rede pressupõe a troca para se ter um relacionamento. Troca de links, de informações e de palavras vazias. A relação se faz no compartilhamento. Na Internet, principalmente analisando o estouro do Facebook, nos faz experimentar um coletivo de individualidades. Ou seja, o network de egotrips. Nas publicações individuais as pessoas existem. Não deixa de ser a voz individual falando mais alto. A voz humana alcança diretamente o nosso âmago, e toca nosso espirito. As pessoas estão buscando a melhor maneira de se comunicar. E não há uma fórmula mágica. Receitas, manuais e guias desorientam antes de tudo”.
Ilustração da apresentação de Hernani Dimantas
O vídeo acima é a primeira parte da palestra 2º Encontro InovarEduca, saiba mais aqui.
Hernani é artista, escritor e ativista. Desde 1997 tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a Internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado à troca de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador do projeto MetaReciclagem. Fundador do lixoeletronico.org.
Hernani Dimantas apresenta nesse vídeo um pouco sobre o compartilhamento das informações citando em primeiro lugar o exemplo do Linux que foi disponibilizado gratuitamente na rede por seu criador Linus Torvald.
A rede sempre se auto-organiza para ajustar todas as informações, não há um centro controlando e decidindo como ou quando postar, ou qual conteúdo, etc. Trata-se de um processo de emergência, de baixo para cima. A resposta é imediata, acesso, compartilhamento, opiniões positivas ou negativas, indiferença, comunidades, fóruns, criações, sátiras etc. As pessoas estão lá para receber o conteúdo novo e manter o movimento da rede. Hernani também fala sobre o projeto Lixo Eletrônico (lixoeletronico.org), de 2007, que tratou sobre o grande volume de lixo eletrônico produzido e como descartar esses materiais, oferecendo conscientização e soluções para pessoas e empresas. Em 1990 o grupo iniciou um movimento na internet para que se votasse um projeto lei que incluísse novamente os resíduos sólidos na agenda de preocupações das políticas públicas. Essa movimentação começou de baixo para cima partindo de uma democracia participativa e atuante. Plataformas para movimentar causas foram criadas, como o Avaaz.org, por exemplo, além de inúmeros outros projetos que podem ser alimentados via bottom up ou via rede.
Ilustração da apresentação de Hernani Dimantas
“Nesse processo de apropriação da tecnologia o que me importa é a emergência de conversas. Uma forma de comunicação de baixo pra cima capaz de se organizar em redes sociais, no sentido mais amplo possível. Uma conversa que se dá na participação, no compartilhamento e na disponibilização de links, ideias, projetos, poesias, textos, vídeos e onde mais a criatividade humana consegue relacionar. Somos seres em relação. Precisamos nos comunicar com outras pessoas. Criamos redes como formigas preparam os formigueiros. A rede organiza a nossa civilização”. (Hernani)
O vídeo acima é a primeira parte da palestra 2º Encontro InovarEduca, saiba mais aqui.
Hernani é artista, escritor e ativista. Desde 1997 tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a Internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado à troca de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador do projeto MetaReciclagem. Fundador do lixoeletronico.org.
Hernani Dimantas apresenta nesse vídeo um pouco sobre sua experiência acerca da evolução da internet na vida social, além de conceitos importantes que caracterizam as mudanças disruptiva trazidas pela era digital. A internet ainda não fazia parte da vida doméstica das pessoas, até 1995, onde começaram a surgir reais motivações para a verdadeira apropriação das tecnologias. Antes disso apenas organizações utilizavam esse recurso e para finalidades bastante específicas. Aos poucos a internet foi se tornando um assunto que precisava ser estudado, questionado e refletido, pois a sua popularização provocou mudanças disruptiva na forma de atuação profissional e pessoal de milhões de pessoas no mundo todo.
Distâncias encurtadas, ritmo acelerado, comunicação em “tempo real”, redes distribuídas, mídias interativas, mudanças linguísticas no falar e no escrever dos internautas, atitudes cada vez mais colaborativas e o compartilhamento intenso de informações e conteúdo, explosão de opções de entretenimento, negócios, educação, marketing entre outros fatores que determinam hoje uma cultura de convergência. Hernani também reflete sobre a cultura Hacker e desmistifica o termo desenvolvendo uma linha de raciocínio que aponta para uma cultura de compartilhamento dinâmico, de colaboração intensa, moldando um novo contrato com a sociedade. A revolução digital deve ser traduzida como um ponto de fuga em que o conhecimento não deve ser propriedade de empresas ou governos, mas livre. Na cultura hacker, ética significa a crença de que o compartilhamento da informação é um poderoso e positivo bem.
O vídeo acima é a primeira parte da palestra 2º Encontro InovarEduca, saiba mais aqui.
Hernani é artista, escritor e ativista. Desde 1997 tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a Internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado à troca de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador do projeto MetaReciclagem. Fundador do lixoeletronico.org.
Conheça o Fórum de Inovação da FGV-EAESP e como se forma uma cultura inovadora
O professor Marcos Vasconcellos contou um pouco sobre o que é o Fórum de Inovação da FGV-EAESP no 2º ENCONTRO INOVAREDUCA! O Fórum de Inovação foi criado por professores da Escola de Administração de São Paulo (EAESP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2000, em parceria e participação ativa de organizações interessadas em desenvolver, no Brasil, a prática da capacidade de inovar. O objetivo era criar condições para iniciar uma pesquisa sobre o tema inovação, a gestão inovadora mais do que a inovação em si. A missão é estimular e viabilizar a investigação, a difusão e a aplicação de conhecimentos sobre organizações inovadoras, tornando-se um referencial brasileiro no tema. O país será um lugar melhor a partir das apropriações da tecnologia e de gestão inovadora nas empresas e instituições diversas. Esse foi justamente o tema desenvolvido da segunda edição do InovarEduca, por Hernani Dimantas.
Os valores do Fórum são: a permanência, a relevância e a contribuição para a sociedade. Os objetivos são:
•Sistematizar o conhecimento e a prática da inovação em empresas;
•Integrar conceitos acadêmicos e realidade empresarial;
•Estuda a inovação como direcionador estratégico para o país.
•Compartilhar conhecimento entre empresas de segmentos diversos, em uma comunidade multicultural e multidisciplinar;
•Gerar riqueza a partir da visão de inovação como estratégia.
O Fórum possui um portal Fórum de Inovação 2.0 em que é possível acompanhar as atividades e projetos desenvolvidos, desenvolvidos em torno dos seguintes elementos:
Geração: pesquisas, teses e dissertações; estudos de casos, desenvolvimento de metodologias.
Sistematização: Compartilhamento de experiências; portal do Fórum de Inovação.
Difusão: Atividades de educação e ensino; publicações e workshops.
Aplicação: Aplicação das metodologias.
Outros fóruns de inovação já funcionam por todo o Brasil, como o Unisinos (Rio Grande do Sul), a UFBA (Bahia), UFMS (Mato Grosso do Sul) e internamente os fóruns têm criado redes de conhecimento, grupos interessados em desenvolver temas específicos na área de inovação: como redes colaborativas, inovação em micro e pequenas empresas e o InovarEduca. O Fórum e seus colaboradores entendem Inovação como:
INOVAÇÃO = IDEIA + AÇÃO + *RESULTADO (*Resultados positivos para fundadores, investidores e demais stakeholders, com Sustentabilidade e por um prazo razoável. Se a ideia não levou a nenhum resultado ou ação então ela não é inovadora.
O foco sempre é a contribuição para todos.
Metodologia da inovação: roda de inovação
A lógica é que o eixo da transformação de uma organização está na liderança, se ela não estiver interessada o processo não irá acontecer. Se a liderança está interessada ela cria condições para que o ambiente e a cultura se modifiquem e promovam liberdade eliminando o medo de errar. As pessoas são os agentes de mudança e transformação, são agentes e não recursos. A partir da liberdade as pessoas irão inovar, criar e surpreender!
Mas afinal, o que é uma inovação disruptiva! Vamos parar para pensar nesses termos. O som da palavra disruptiva se assemelha a algo que nos lembra “rasgar” alguma coisa, a “romper”...
E é exatamente isso. A inovação disruptiva rompe o lacre, a casca e renasce melhorada, inovada.
Inovar:
(lat innovare) vtd 1 Fazer inovações, introduzir novidades em (leis, costumes, artes etc.). 2 Produzir algo novo, encontrar novo processo, renovar: Inovar a execução de um trabalho. 3 Introduzir (palavras) pela primeira vez em uma língua. (Dicionário Michaelis)
Vivemos em uma cultura de compartilhamento, que domina os novos pensamentos sobre mídia, redes, e interação social, “Inovação é interação: se você não interage, você não pode inovar. E interação é rede”, nos diz Augusto de Franco. Hoje é possível viabilizar projetos e ideias, fazerem com que saltem do papel para a vida sem o apoio de grandes investidores. Sim, isso é mesmo possível! Augusto reflete que “você não pode contratar vinte mil cientistas para desenvolver sua ideia. Mas existem vinte mil pessoas no mundo que podem compartilhar sua ideia, ou lhe dar uma ideia melhor. Então, em vez de criar um departamento de inovação na minha empresa, eu posso usar a inteligência da multidão”. A inovação vai contagiando as pessoas e organizações e fica cada vez mais claro que não se deve pensar em inovar apenas por sobrevivência, mas sim como o desenvolvimento de uma nova cultura.
Uma cultura de convergência, compartilhamento e inovação = inteligência coletiva.
Assista o vídeo, ele é curtinho e você vai ficar se encantar e refletir sobre ideias simples que afetam positivamente as pessoas e que realmente promovem mudanças de comportamento.
Fundamentos da Excelência em Gestão - Fundação Nacional de Qualidade (FNQ)
InovarEduca é uma rede aberta e dedicada a explorar o potencial de inovação no campo da educação, formada por uma equipe que entende a responsabilidade de avançar no conhecimento sobre educação, tecnologia e seus impactos na sociedade do século XXI.
Essa rede foi feita para todas as pessoas e organizações que se interessam de algum modo pelo tema e que estão dispostos a interagir e principalmente compartilhar seu conhecimento livremente. Todo o conteúdo produzido pelo InovarEduca é livre para ser compartilhado.
A rede teve origem a partir das trocas e reflexões sobre a prática docente, de um grupo de professores interessados em explorar os impactos das novas tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem. Desde os primeiros movimentos, o grupo contou com o apoio e a interlocução criativa do Fórum de Inovação da FGV, o que tem sido de grande importância para a consolidação do trabalho.
Depois do 1º Encontro InovarEduca, que tratou das mudanças disruptivas que influenciaram as transformações socioeconômicas mais significativas na evolução da humanidade, chegou ao segundo encontro, agora sobre as apropriações da tecnologia para a transformação social, com a participação do artista, escritor e ativista nas redes da web, Hernani Dimantas.
Desde 1997 Hernani tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado ao compartilhamento de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCom) da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006). Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador dos projetos Metá:Fora e Metareciclagem. Foi Coordenador do LIDEC - Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária - no Núcleo de Pesquisa das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação Escola do Escola do Futuro/USP. Ex Coordenador dos Programas AcessaSP, Acessa Escola (2009), juventude. sp e a rede de formação dos telecentros.br na Escola do Futuro da USP. Fundador do Projeto do Lixo Eletrônico no Brasil. (hdimantas@gmail.com e @hdhd)
Sua larga experiência na área de comunicação, com ênfase em cibercultura, atuando principalmente nos seguintes temas: arte, gambiarra, diy, cultura digital, inclusão digital, sociedade da colaboração, manifesto cluetrain, marketing hacker, gift economy, peerproduction, ética hacker. software livre, open design, fez deste encontro um momento significativo para todos que se interessam pelas transformações sociais promovidas a partir das novas tecnologias. Conheça o livro de Hernani Dimantas, Linkania, clique aqui.
Abaixo você pode conferir a palestra em duas partes, confira!
InovarEduca é uma rede aberta e dedicada a explorar o potencial de inovação no campo da educação, formada por uma equipe que entende a responsabilidade de avançar no conhecimento sobre educação, tecnologia e seus impactos na sociedade do século XXI.
Essa rede foi feita para todas as pessoas e organizações que se interessam de algum modo pelo tema e que estão dispostos a interagir e principalmente compartilhar seu conhecimento livremente. Todo o conteúdo produzido pelo InovarEduca é livre para ser compartilhado.
A rede teve origem a partir das trocas e reflexões sobre a prática docente, de um grupo de professores interessados em explorar os impactos das novas tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem. Desde os primeiros movimentos, o grupo contou com o apoio e a interlocução criativa do Fórum de Inovação da FGV, o que tem sido de grande importância para a consolidação do trabalho.
Confira aqui o que rolou no InovarEduca I, que aconteceu na unidade Berrini da FVG, no dia 26 de abril de 2012. No link você também encontrará o vídeo com a palestra completa.
Após a fala de introdução de Marcos Vasconcelos em agradecimento a presença de todos, o Prof. Dr. Miguel Sacramento (engenheiro pela USP, especialista em Administração pela FGV, doutor pela USP, consultor nas áreas de Operações e Estratégia em empresas de diversos segmentos e professor da EAESP/FGV) inicia a apresentação que tratou das mudanças disruptivas que influenciaram as transformações socioeconômicas mais significativas na evolução da humanidade.
As possibilidades do virtual, da oportunidade para que algo aconteça, algo que ainda não existe, mas é possível, então existe... De alguma forma, na forma de hipótese, no virtual. Podemos dizer que a web nos permite realizar possibilidades? Assim surgiu o livro Linkania, do autor Hernani Dimantas (em parceria com a Editora Senac São Paulo e o projeto Escola do Futuro da USP), a partir das conversações em rede, uma possibilidade “para que potências separadas ou esquecidas fossem, num movimento próprio, se encontrando e atualizando as relações de forças pela web”. Ou seja, linkania é o acontecimento da relação do ser em rede. Do ser com possibilidades de relações nunca antes alcançadas na história da humanidade.
Linkar é o espaço no qual a informação se conecta, é o espaço informacional.(...) Falar de linkania é, sobretudo, abrir espaços para possibilidades nas quais reverbera uma “multidão hiperconectada”,
movimento de auto-organização do caos.(...)
Tudo isso implica a participação ativa das pessoas em rede, uma troca generosa de links que catalisa a conversação, provoca e solidifica o engajamento em rede.
Hernani Dimantas
Relacionamos-nos em redes sociais muito antes do aparecimento da internet, “construímos” comunidades, mundos, conhecimento, desde que começamos a nos relacionar. “Pode-se dizer que atualmente vivemos numa rede social. Uma rede em movimento. Uma dinâmica que está sempre na ação, na necessidade de composição, na ideia de que sempre é possível ter um bom encontro numa relação para produzir algo junto”. A internet mudou nossa maneira de se relacionar, permitiu uma comunicação mais dinâmica, em “tempo real”, uma ideia de revolução e provocou ilusões e preconceitos nos quais estamos inseridos. Para desvencilhar-se das ilusões será necessário desconstruir a ideia (organização da sociedade atual e seus meios de comunicação) e entender como ela realmente se estrutura.
De todos os meios de comunicação a internet é o mais completo, e o mais complexo. Podemos dizer rapidamente para que serve a TV, o rádio, o telefone, mas e a internet? No cenário web temos de tudo um pouco, um pouco de rádio, TV, um telefone, e até uma máquina de escrever. Brilhantemente Dimantas nos explica que “participar da internet é deixar a rede participar de você. O compartilhamento é total. (...) Ela representa a recuperação da voz, a retomada dos “bazares conversatórios”, o encontro com uma sociedade digital propensa a compartilhar”. O autor compara o movimento da web com a agitação do xemelê, uma dança, um batuque que orquestra dados e máquinas, linkando pessoas, máquinas, softwares, links, inteligências, conversações e colaborações.
“A conversação na rede se dá a partir de uma ruptura do ser. O sujeito rompe definitivamente com a ideia de indivíduo, assumindo a multidão dentro de si. Nesse sentido, na internet somos todos links constantemente em relação. De outro lado, a interface dessas relações simbólicas também são ícones que nos norteiam na virtualidade desse espaço informacional”.
Espaços informacionais: comunidades virtuais
Uma comunidade virtual depende de uma forte afinidade entre os participantes, segundo o que nos diz Howard Rheingold, um grupo que irá manter a discussão viva que gire em torno de algo que interesse a todos.
“Assim, esse tipo de comunidade é composto por agregados sociais que surgem na rede quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante determinado período, com sentimentos humanos para formar redes de relações pessoais no espaço cibernético. Seria um espaço acolhedor, no qual nos sentimos abraçados, imersos na generosidade de poder compartilhar nossos sentimentos mais humanos. Essas ideias apontam no sentido contrário àquilo que é comum numa sociedade de massa, ou melhor, numa sociedade mediada pela produção capitalista, em que as relações não são mediadas pelo afeto, mas pelo poder, pelo dinheiro, pela Exploração”.
“Na web existir é ser visto”
A relação entre visível e invisível não são contrárias, mas sim parte de uma equação onde um elemento contém o outro. Mas vamos pensar nessa relação um pouco mais: uma pessoa que não está nas redes sociais está invisível para toda a conversação que está rolando naquele espaço e tempo.
Uma produção coletiva é formada por diversas culturas e naturezas, é um movimento que se utiliza dos homens e das coisas, uma massa invisível em um primeiro momento, mas quando trabalha e constrói algo em equipe tornam-se multidões invisíveis que mantêm vivas as multidões visíveis e vice-versa. E para intermediar as massas há homens com “dons” especiais, assim como os xamãs mediavam esse contato com o invisível, os usuários da web subjugam e estabelecem conexão, não com espíritos, mas com informações e meios conforme demandas e interesses. Assim são as redes sociais, aglomerados de links que se linkam por interesses em comuns, pessoas e coisas, interesses múltiplos e a mistura das pessoas, seus desejos com as coisas, o particular e o social e uma nova narrativa coletiva. “O princípio de que as pessoas estão conversando de forma diferente na internet nos leva a tentar compreender os espaços informacionais de outro ponto de vista. Numa internet cheia de trocas de informações, e-mails indo e vindo. Poesias, piadas, correntes, textos, artigos, pensamentos, listas, e-zines, Twitter, Orkut, YouTube, podcasts, newsletters e relacionamentos fazem parte do nosso cotidiano digital. Isso passou a ser normal a qualquer interneteiro. A expressão “web invisível” só faz sentido numa época em que a interface tecnológica não atende a todas as pessoas. Seja pelo gap econômico, seja pelo gap geracional”.
Hernani nos fala em uma web que é um caldo de culturas, um fluxo infinito de informações e muda a forma de relacionamento humano, diferente da qual estávamos acostumados. Para entender ainda melhor o que nos faz inseridos em uma comunidade na web, Hernani nos fala sobre os hackers, se você está envolvido nessa cultura, contribuindo para que ela cresça e se atualize, então as pessoas que também estão lá o chamam de hacker, e isso torna você um deles: a sua reputação precisa partir da afirmação feito pelo outro. Isso caracteriza a nomeação dos indivíduos em uma sociedade em rede
Hackers? Sim, hackers! Não entendemos como eles contribuem para uma sociedade da colaboração, mas "Fundamentados na apropriação da tecnologia, os hackers vão moldando um novo contrato com a sociedade. Acreditamos que a revolução digital deva ser traduzida como um ponto de fuga em que o conhecimento não deve ser propriedade de empresas ou governos, mas livre. Na cultura hacker, ética significa a crença de que o compartilhamento da informação é um poderoso e positivo bem. Na prática, isso significa um dever ético de trabalhar sob um sistema aberto de desenvolvimento, no qual cada um disponibiliza a sua criação para outros usarem, testarem e continuarem seu desenvolvimento. Conhecimento é um bem que não se perde, mesmo quando o compartilhamos. Esse pensamento é oposto à lógica do capital".
A revolução não televisionada
A internet difere da comunicação em massa, pois não provém de um para todos, ela é produzida por todos para todos a partir de um engajamento coletivo. O monopólio está enfraquecendo. “A conversa de muitos para muitos tem um alcance espetacular na relação de poder. Para Foucault, o poder provém de todas as partes, em cada relação entre um ponto e outro. “Essas relações são dinâmicas (móveis) e mantêm ou destroem os esquemas de dominação”. Diferente das antigas gerações hoje temos a independência de produzir informação, editá-la, publicá-la e comunicá-la trocando informação e conhecimento com as outras pessoas que também estão na web. "A revolução digital trouxe para as novas gerações a cultura do compartilhamento do saber".
Essa hiperconexão compõe a internet, e o transporte de ideias e pensamentos pode ser modificado, reapropriado de diversas formas, como por exemplo, o banco que se utiliza disso para interagir com seus clientes, os grandes provedores atualizam cada suspiro da mídia de massa e uma pequena porção da internet têm se desligado dessa lógica do capitalismo imperialista, constituindo um ambiente de compartilhamento de informações e conhecimento em que o poder da voz está cada vez mais descentralizado e mais distribuído.
A palavra-chave da vez é compartilhar. "Compartilhar informações e saberes é o que tem permitido a maioria dos grandes avanços da ciência. Do mesmo modo que os pesquisadores aceitam que observadores examinem e utilizem suas descobertas em suas respectivas áreas de estudo, que testem e desenvolvam além do ponto em que se encontram, os hackers que participam do projeto Linux permitem que todos possam utilizar, testar e desenvolver seus programas. O espaço informacional de uma ética científica que, em programação, recebe o nome de código-fonte aberto ou open source". Sempre fizemos isso, o modelo aberto não surgiu ontem, ele sempre foi uma alternativa para um crescimento colaborativo onde as pessoas buscam por comunidades informacionais de seu interesse.
A abordagem acadêmica: as redes de Conhecimento
Universidades ou comunidades? Vamos pensar um pouquinho... "Toda rede pressupõe determinado nível de troca de informações e, de alguma forma, contribui para a construção do conhecimento coletivo e individual. E é nesse ponto que o mundo acadêmico se confunde. A razão de existir das universidades é o conhecimento. E redes, invariavelmente, catalisam o conhecimento. Mas as comunidades têm outra razão de viver. O caminho do conhecimento pode ser até o melhor caminho, mas não é o objetivo. Em muitas situações, mobilização é a meta principal".
Para a academia a rede significa compartilhar informações e produzir conhecimento, mas para as comunidades e trabalhadores, a rede têm sido um espaço para mobilizar, ganhar força e crescer. Um precisa do outro, estudos colaborativos sendo publicados e mutirões, comunidades e passeatas se fortalecendo, servindo a propósitos comuns.
Então, será que agora entendemos por que o conhecimento quer ser livre? Precisa ser livre?
Hernani é artista, escritor e ativista. Desde 1997 tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a Internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado à troca de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador do projeto MetaReciclagem. Fundador do lixoeletronico.org.
III Semana de Direitos Humanos: “A Influência da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França, 1789)”
Neste ano de 2012, o Observatório propõe-se a refletir sobre a influência trazida pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França, 1789) e seu impacto na efetivação e internalização pelos Estados democráticos dos direitos fundamentais. É fato que as Declarações de Direitos Humanos, em todos os tempos, trouxeram para o centro do debate a temática das liberdades individuais, da justiça e de inclusão na participação política. Estes direitos disseminam-se na sociedade, mudando tradições e estruturas sociais rígidas, ao passo que desencadeiam consequências inimagináveis e desdobramentos imprevisíveis.
Quando: de 28 a 30/08/2012
Onde: Universidade Federal de Santa Catarina - Campus Universitário - Trindade - Florianópolis - SC - Brasil. - Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) - Sala 329
Tema: A 2ª edição da Jornada Infinity Learning RH: Gestão Transformadora trará um debate estratégico de como construir o RH do futuro e transformador, diante de um ambiente de negócios cada vez mais complexo; e o quanto essa nova realidade impacta nos modelos de gestão e desenvolvimento humano.
Quando: 20, 30 e 31/08/2012
Onde: Amcham Business Center, Rua da Paz, 1431 – São Paulo - SP - 55(11)5180-3730
IV Encontro Brasileiro de Mediadores – Uma sociedade em transformação
Tema: Reflexão sobre quais ações estão sendo empreendidas, sejam elas educacionais, sociais ou empresariais e trazer novas ações que auxiliem a sociedade nesse processo de adaptação.
Quando: 29 e 30/06/2012
Onde: Rua Dr. Vila Nova, 228 - 1º andar - Centro - São Paulo/SP
E-mail: consolacao@sp.senac.br
Telefone: (11)2189-2100
Inscrições feitas até 29/5: R$ 250,00, após essa data: R$ 300,00.
Tema: as apropriações da tecnologia para a transformação social, com a participação do artista, escritor e ativista nas redes da web, Hernani Dimantas.
Quando: Dia 28/06/2012 - das 09h às 12h.
Onde: FGV Berrini, Avenida das Nações Unidas, 12.495, sala 201
Para participar do encontro presencial é preciso confirmar sua presença pelo email: forumdeinovacao@fgv.br
Tema: Ministrada por Dorival Pinotti, consultor de carreiras, especialista em programas internacionais e atuando no mercado há mais de 30 anos, a palestra, oferecida gratuitamente pelo Senac Santo André, tem como objetivo apresentar a estudantes a atual situação do mercado de trabalho e suas constantes mudanças, fazendo com que reflitam sobre sua vida profissional.
Quando: 26/06/2012 das 19h às 21h30.
Onde: Senac Santo André, Av. Ramiro Colleoni, 110 - Centro, Santo André /SP.
Depois do 1º Encontro InovarEduca, que tratou das mudanças disruptivas que influenciaram as transformações socioeconômicas mais significativas na evolução da humanidade, chega o segundo encontro, agora sobre as apropriações da tecnologia para a transformação social, com a participação do artista, escritor e ativista nas redes da web, Hernani Dimantas (hdimantas@gmail.com - @hdhd).
Lembramos que o InovarEduca é uma rede aberta, dedicada a promover a inovação no campo da educação. Fazem parte todas as pessoas e organizações públicas, privadas e do terceiro setor, que tenham como objetivo comum a educação de qualidade, compatível com os desafios do século XXI.
Desde 1997 tem-se dedicado ao estudo, à discussão e à elaboração de projetos colaborativos em rede, publicando um número expressivo de artigos em livros, jornais e revistas sobre a internet como um meio aberto à produção coletiva e destinado ao compartilhamento de ideias e conhecimento entre as pessoas. Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCom) da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006). Autor dos livros: Linkania: uma Teoria de Redes (2010) e Marketing Hacker (2003). Fundador e articulador dos projetos Metá:Fora e Metareciclagem. Foi Coordenador do LIDEC - Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária - no Núcleo de Pesquisa das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação Escola do Escola do Futuro/USP. Ex Coordenador dos Programas AcessaSP, Acessa Escola (2009), juventude. sp e a rede de formação dos telecentros.br na Escola do Futuro da USP. Fundador do Projeto do Lixo Eletrônico no Brasil.
Sua larga experiência na área de comunicação, com ênfase em cibercultura, atuando principalmente nos seguintes temas: arte, gambiarra, diy, cultura digital, inclusão digital, sociedade da colaboração, manifesto cluetrain, marketing hacker, gift economy, peerproduction, ética hacker. software livre, open design, fará deste encontro um momento significativo para todos que se interessam pelas transformações sociais promovidas a partir das novas tecnologias.
Os Encontros InovarEduca organizados com o apoio do Fórum de Inovação da FGV e do FNQ são espaços-abertos “virtureais”. Mercado de trocas de experiências e ideias. Exercício de contraponto criativo do qual se pode participar presencialmente ou por um sistema de WEBTV com acompanhamento via chat e/ou twitter.
Para participar do encontro presencial é preciso confirmar sua presença pelo email: forumdeinovacao@fgv.br
Confira aqui o que rolou no InovarEduca I, que aconteceu na unidade Berrini da FVG, no dia 26 de abril de 2012.
Após a fala de introdução de Marcos Vasconcelos em agradecimento a presença de todos, o Prof. Dr. Miguel Sacramento (engenheiro pela USP, especialista em Administração pela FGV, doutor pela USP, consultor nas áreas de Operações e Estratégia em empresas de diversos segmentos e professor da EAESP/FGV) inicia a apresentação que tratou das mudanças disruptivas que influenciaram as transformações socioeconômicas mais significativas na evolução da humanidade.
Mas o que é uma mudança disruptiva? É aquela que cria um novo mundo e consequentemente deixam órfãos, todos aqueles que não acompanham ou se adaptam às novidades acabam ficando para trás no processo de evolução subsistindo ou sendo gradativamente destituídos de suas posições profissionais, sociais e econômicas. Está claro que a mudança de caráter socioeconômico é aquela que promove o maior impacto.
Após a fala de introdução de Marcos Vasconcelos em agradecimento a presença de todos, o Prof. Dr. Miguel Sacramento (engenheiro pela USP, especialista em Administração pela FGV, doutor pela USP, consultor nas áreas de Operações e Estratégia em empresas de diversos segmentos e professor da EAESP/FGV) inicia a apresentação que tratou das mudanças disruptivas que influenciaram as transformações socioeconômicas mais significativas na evolução da humanidade.
Avaliando a evolução do homem em suas diversas “versões”, observa-se que ele viveu três grandes sistemas sociais:
1º Pré-civilização(há bilhões de anos): caracterizada por grupos nômades, que aprendiam por meio da observação e com objetivos que permeavam a sobrevivência. Esse período durou cerca de 150 mil anos.
2º Agricultura: caracterizada pelo sedentarismo dos grupos, pela agricultura e pelo convívio social acentuado. Esse período durou cerca de 10 mil anos.
3º Revolução Industrial (século XVIII): caracterizada pela invenção da tecnologia a vapor, por uma intensa demanda por conhecimentos de toda ordem. Esse período durou apenas 200 anos, encerrando-se em 1991, com o surgimento da World Wide Web, baseada na linguagem HTML, que popularizou a internet mundialmente, graças a Tim Berners Lee. Em apenas 20 anos a internet causou uma enorme mudança disruptiva e quanto maior a mudança e menor o tempo que ela leva para acontecer, mais órfãos ela deixa para trás.
Nota-se que as pressões adaptativas e as inovações tecnológicas levaram a humanidade a intensificarem o processo de evolução, demandando cada vez mais conhecimento em cada vez em menos tempo. Hoje se vive no período Pós Revolução Industrial, em que o conhecimento aumenta em complexidade em grande velocidade.
Miguel também considerou os estudos do físico argentino Ernesto Sábato sobre como as sociedades se estruturavam, movido pelo questionamento acerca da desaceleração do progresso na América Latina em 1968. A estrutura social baseou-se sempre em três elementos, como em uma pirâmide: Governo, Universidade e Indústria. O alinhamento desses elementos define o desenvolvimento da sociedade. A cada época um desses três elementos foi destacado, como por exemplo, até a década de 1990 esse elemento foi o governo. Com o surgimento do fenômeno globalização cada um dos elementos funciona separadamente, porém existem áreas centrais de funcionamento integrado. No século XXI o estado e a indústria cedem mais espaço para uma sociedade agora estabelecida “em rede”, sob uma velocidade crescente. Essa velocidade transforma a pirâmide uma Tríplice Hélice: sistemas produtivos, governo e universidade, e a sociedade ganha o destaque com a nova economia da Sociedade da Informação.
Uma avaliação entre o período de 1860 a 2008 analisou as condições socioeconômicas mundiais e suas transformações em relação às atividades econômicas desenvolvidas ao longo desses anos, desde o extrativismo até o setor atual de serviços. Os resultados revelaram que o grau de escolaridade, a remuneração, a quantidade de postos de trabalho e a capacidade de distribuição de renda aumentaram exponencialmente enquanto que o valor de investimento de base ativo e investimento na estruturação de postos de trabalho diminuíram. Em 1860, cerca 80% do PIB provinham de atividades agrícolas e industriais. Hoje essa porcentagem foi reduzida a 14%. Os produtos tornaram-se apenas uma plataforma necessária para a venda de serviços. Outro exemplo que reforça essa avaliação é a estabilidade dos setores da indústria e de agronegócios norte-americanos desde 1940. Só no Brasil, a prestação de serviços já gerou mais de 80 mil vagas em pouco tempo.
De acordo com Peter Drucker, a educação será a indústria de maior crescimento nos próximos anos. Os gastos em educação em todo o mundo vêm crescendo rapidamente.
Voltando à Tríplice Hélice, o importante é perceber que o fluxo do conhecimento mudou e a energia não surge mais do centro. O conhecimento não vem mais somente da academia para depois ser transferido ao meio socioeconômico. A função da academia mudou. O conhecimento hoje está pulverizado e se expande exponencialmente. Se antes as empresas detinham o conhecimento e o guardavam para si, hoje entenderam que a partir do compartilhamento é que se pode contribuir para o conhecimento coletivo e isso tem se intensificado a partir do uso da internet e da mudança no comportamento das pessoas que trabalham, produzem, consomem, aprendem e ensinam com maior autonomia. Vejam algumas iniciativas incríveis que representam essa nova era:
• Intel:investimento em comunicação por meio de ondas cerebrais.
• Crowdsourcing: manuais online em formato de fóruns ou comunidades, que oferecem conteúdo atualizado e dinâmico substituindo os manuais impressos.
• MITx: projeto que oferece cerca de seis mil cursos online, sendo que já existem 120 mil alunos em alguns cursos. Como isso seria possível presencialmente?
No entanto, existem alguns obstáculos que dificultam o mergulho na era do conhecimento compartilhado: motivação; baixa pressão social e ambiental, comodismo; má organização do processo de ensino-aprendizagem e confuso processo decisório nesse aspecto por parte do poder dominante; concentração em upstream, atividades econômicas que têm perdido espaço na sociedade; visão imediatista; submissão da estrutura de ensino-aprendizagem; postura paternalista, protecionismo; imobilismo da sociedade.
A pequena contribuição de cada um é mais importante do que a enorme inteligência de apenas um indivíduo.
Dica de leitura: “Nós somos mais inteligentes que eu” (Barry Libert e Jon Spector).