terça-feira, 23 de outubro de 2012

Cinco grandes tendências para as mídias sociais

A psicóloga social Dolors Reig aponta cinco grandes tendências para as mídias sociais em 2013: Gamificação, ambientes colaborativos para a gestão da aprendizagem, Marketing honesto, Big data e análise de dados. Vamos conhecer mais sobre esses elementos?
Gamificação – Trata do uso da lógica dos jogos aplicada a contextos lúdicos ou não, como por exemplo, em temas como saúde, marketing, negócios e educação. O professor indiano de Tecnologia Educacional, Sugata Mitra e o empresário Gabe Zichermann são duas das grandes referências nesse tema: o poder dos jogos em ajudar a envolver as pessoas e construir organizações mais fortes e comunidades.

Gabe Zichermann: Como fazer jogos as crianças mais inteligentes:

Reportagem sobre Gamificação feita para o Brasil Repórter:
Ambientes colaborativos para a gestão da aprendizagem - Ambientes corporativos desenvolvidos para a gestão do conhecimento a partir da colaboração e da relação intramuros entre organizações, pessoas e empresas. Trata-se mais de uma concepção filosófica de trabalho em que não parte, ou não precisa partir necessariamente de uma hierarquia entre os participantes. Objetivamente é uma estratégia que combina o espaço virtual (Internet) e a tecnologia de Sistemas de Gerenciamento da Aprendizagem online (SGA) ou Learning Management Systems ( LMS). O objetivo é proporcionar um espaço de construção coletiva do conhecimento, onde cada participante é autor e colaborador e pode usufruir o resultado do esforço de todos. Grandes nomes como Stephen Downes e George Siemens
Stephen Downes explica o que é Learning Management Systems ( LMS):


TEDxNYED - George Siemens:
Marketing honesto e instrutivo - Baseado na transparência e na especialização, no conhecimento, além da marca em questão. A organização precisa ser transparente e estar aberta ao diálogo: saber falar e ouvir, mantendo canais abertos e permanentes com o público.
Big data e análise de dados - Big data, análise de dados nos negócios, mas especialmente sobre a questão da participação política (TEP, Tecnologias de capacitação e participação).
Para acessar a legenda automática em português dos vídeos no youtube, coloque primeiro a legenda em inglês (transcrito) e depois clique em traduzir legenda (beta) e escolha o idioma português.

O que os adultos podem aprender com as crianças?


O poder de realizar coisas...simples e grandiosas.
Adora Svitak
Adora Svitak


Adora Svitak tem 12 anos, já publicou três livros e está preparando o próximo. Ela também é professora, ela tem muito a ensinar. Adora tem um site, é ativista na web, visita escolas e trabalha com meios de ensino à distância como conferência webcasting e vídeos. Em seu TED “O que os adultos podem aprender das crianças”, a jovem inicia nos provocando com uma pergunta: Qual foi a última vez que fomos chamados de “infantis” por alguém?
Adora fica chateada quando alguém usa a palavra infantil para ofender outra pessoa, como se fosse ruim ser criança, como se fossem iguais as palavras infantil, irresponsável, irracional e imaturo. E a jovem reforça seus pensamentos nos dando alguns exemplos de atitudes “infantis” de alguns adultos, como imperialismo e colonizações, guerras mundiais, George W. Bush (ex-presidente dos Estados Unidos)... Quem foram os responsáveis? A resposta tira risos da plateia: adultos.
Em contrapartida crianças notáveis tem realizado ações em prol do coletivo há muito tempo e não têm o destaque que merecem, como por exemplo, Anne Frank. “Adolescente alemã de origem judaica, vítima do holocausto, que morreu aos quinze anos de idade num campo de concentração. Ela se tornou mundialmente famosa com a publicação póstuma de seu diário, no qual escrevia as experiências do período em que sua família se escondeu da perseguição aos judeus dos Países Baixos”. (Wikipédia).
Anne Frank
Anne Frank

Ou Ruby Bridges, uma das primeiras crianças negras a frequentar uma escola só de brancos e que ajudou a acabar com a segregação racial nos Estados Unidos. Charlie Simpson ajudou a angariar 120.000 libras para a reconstrução do Haiti. No Brasil, Isadora Faber criou uma página no Facebook para denunciar os problemas em sua escola pública, e conseguiu, além dos mais de 300 mil apoiadores, melhorias reais para a sua escola e a abertura de um canal em que outras crianças e professores puderam também dizer o que pensavam e denunciar os problemas que enfrentavam em suas escolas, em várias cidades do país.

Ruby Bridges
Charlie Simpson
Charlie Simpson


Isadora Faber
Isadora Faber


Adora nos fala que algumas “irracionalidades” são importantes, afinal todos temos ideias e quando pensamos em realizá-las, travamos. Perdemos um tempão pensando em como ela será impossível, o quanto vai custar, se vale a pena ou não, etc etc etc. E enfim, nada é feito. Eis o porquê de tantas coisas não serem realizadas. As crianças possuem o dom de apenas pensar, sonhar e imaginar coisas, e não de limitarem suas ideias. Nós, adultos, perdemos essa capacidade aos poucos e é preciso encontrar ai um equilíbrio. Pois a criatividade e a nossa sobrevivência dependem disso, acreditem. Para criar algo é preciso sonhar primeiro.
“A audácia da imaginação ajuda a empurrar as fronteiras do possível”... O Museu do Vidro, em Washington (Estados Unidos), possui um programa chamado Kids Design Glass, em que crianças desenham suas ideias para arte em vidro. As melhores ideias dos artistas residentes vieram da imaginação de crianças que não pensaram em limitações, elas apenas pensam em boas ideias... e desafiaram os artistas a irem além do que estavam acostumados.
Obra do projeto Kids Design Glass
Obra do projeto Kids Design Glass


Obra do projeto Kids Design Glass
Obra do projeto Kids Design Glass


Segundo Adora o conhecimento inerente não precisa ser algo interior, as crianças aprendem muito com os adultos e querem, gostam de compartilhar, e os adultos deveriam aprender também com as crianças. Todos são professores... Todos, sem exceção, têm algo a ensinar...
A realidade muitas vezes é diferente porque falta a confiança, que geram restrições. Os adultos tendem em atitudes restritivas às crianças. Historicamente todo regime torna-se mais opressivos quando estão perdendo o controle. E embora Adora reconheça que os adultos (pais e professores) não podem ser comparados à regimes totalitários, mesmo assim subestimam a capacidade das crianças e pouco levam em consideração os seus desejos.
Assista a palestra completa e legendada, ela é ótima. Quando crescer queremos ser como Adora.

Porque compartilhamos?


Quantas vezes você já perguntou: Me ajuda? Me explica? Onde encontro? Por quê?
Pense nas pessoas que pacientemente responderam a você. Agora pense em todas as vezes que você respondeu a alguém. Essa troca é o aprendizado, a conversação, o compartilhamento do que sabemos, sentimos, sonhamos, entendemos, odiamos, etc.
Por que compartilhamos? Porque precisamos do olhar do outro para ver o que não vemos, precisamos do entendimento do outro que falta em nós, nascemos para viver juntos, nossa sobrevivência depende do conhecimento compartilhado, do auxílio mútuo, do coletivo.
Sempre sabemos algo que outros não sabem e vice-versa. Cada um entende de um jeito e pode mostrar sua visão ao outro, e construir pontes que nos permitam ir mais longe. Pais, amigos, irmãos, professores, somos todos guias e guiados, podemos mergulhar fundo e ajudar aquele que dá suas primeiras braçadas. Quando ensinamos aprendemos, reforçamos, refletimos e preparamos a base para passar à novas etapas.
Funcionamos em rede,  somos nós e pontos espalhados que se unem por meio de nossas necessidades, afetos e dessa forma compartilhamos de tudo... A rede cresce e o conhecimento se espalha. O conhecimento está lá e cada um pode acessá-lo quando quiser, quando estiver pronto e poderá também ignorá-lo se não lhe fizer sentido por hora. A qualquer momento podemos acionar um ponto da rede, uma pessoa, um site, um lugar, e trocar, interagir...
Abrir as janelas, olhar para as pessoas, conversar...  Cada tela é uma janela, cada sala de aula um ponto de encontro, cada conversa em roda uma oportunidade de troca.
E para isso é preciso imaginação e não ter medo de voar...mesmo que a primeira vista pareça impossível!

A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NO BRASIL


O cenário educacional brasileiro, tanto na universidade quanto na educação básica, refletem decisões tomadas não na base de dados numéricos analisados em profundidade, mas, sim, em bases condicionadas por critérios estabelecidos e endurecidos por uma instituição governamental tradicional.
A sociedade agora foi estimulada a prosseguir com seus estudos, a tomar iniciativas para facilitar seu trabalho, sua vida, e não depende mais somente da certificação acadêmica. O processo tornou-se mais importante que o fim. Não somos números nem diplomas, mas sim somos o que podemos fazer. Somos tudo o que pudermos aprender.
O atual presidente da ABED, Prof. Dr. Fredric Michael Litto, trouxe à cena questionamentos sobre a capacidade de acompanhamento que o nosso país demonstra, em relação às mudanças disruptivas em toda a sociedade atual: Será o nosso país está acompanhando os demais países nessas mudanças promissoras? Quem são aqueles que não estão se beneficiando com elas? Qual é o papel da EAD com relação aos REAs (Recursos Educacionais de Aprendizagem)? Quem são os principais contribuintes de REA no país? Como estimular uma participação maior de governos, instituições de ensino, centros de pesquisa, editoras de livros e revistas, além de outros setores da sociedade em geral?
Esses foram os temas do 18º Congresso Internacional da ABED em 2012.
Mas não iremos falar do Congresso, iremos tentar tratar aqui da formação dos professores, e em como esse processo tem se adaptado ou não às novas demandas de uma sociedade de tecnologias e conhecimentos abertos.
Cada período histórico em nosso país apresentou uma realidade educacional diferente, influenciadas pelo estado, pela sociedade e pelos modos de produção, as quais determinaram as ações no processo de formação de professores.
No Brasil atual as ações nesse segmento fundamentam-se na orientação dos organismos internacionais que financiam nossa educação, como a UNESCO que também determinou orientações para o desenvolvimento dos sistemas educacionais mundiais, em termos de saberes e competências indispensáveis para o desenvolvimento pessoal e social no século XXI, o que prevê a inclusão das novas Tecnologias de Informação e Comunicação TICs).
No livro "A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa”, o autor Nicolau Sevcenko usa a imagem dinâmica de uma montanha russa para avaliar a transição do século XX para o XXI. Nesse momento em que vivemos estamos no clímax, o carrinho está descendo a todo o vapor e é aqui o ponto em que relaxamos diante da física, da fluidez, da aceleração, não há o se fazer, todos se resignam. Esse período refere-se ao surto de transformações tecnológicas: a revolução da microeletrônica.
O autor define essa fase como o momento em que “a aceleração das inovações tecnológicas se dá agora numa escala multiplicativa, uma autêntica reação em cadeia, de modo que em curtos intervalos de tempo o conjunto do aparato tecnológico vigente passa por saltos qualitativos em que a ampliação, a condensação e a miniaturização de seus potenciais reconfiguram completamente o universo das possibilidades e expectativas, tornando-o cada vez mais imprevisível, irresistível e incompreensível. A técnica deve ser posta a serviços de valores humanos, beneficiando o maior número de pessoas”. E o autor nos alerta, esses benefícios devem se estender às gerações futuras.
A corrida tecnológica que sucedeu à Guerra Fria privilegiou aqueles que puderam garantir soberania a partir de autonomia tecnológica, logo, educação, ciência e tecnologia foram as três chaves da nova era.
“A ideia não era mais garantir um bom emprego para todos, conforme a tradição socialista, mas disseminar o espírito da concorrência agressiva por intermédio de uma nova agenda educacional...”, conclui Sevcenko. Aqueles que não seguirem essa regra serão vistos como vítimas de sua própria incapacidade e inadaptabilidade. Em suma, nosso sistema educacional mundial nos prepara para a guerra, uma guerra diária e veloz.
O sociólogo espanhol Manuel Castells define esse momento em que vivemos como uma sociedade em rede, a partir da introdução de novas tecnologias, como sendo caracterizada “por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente diversificado. [...] Essa nova forma de organização social, dentro de sua globalidade que penetra em todos os níveis da sociedade, está sendo difundida em todo o mundo”.
E como os educadores brasileiros e os sistemas educacionais se adaptaram diante disso tudo? Atualmente a crise na educação tem sido tratada apenas nos sintomas, e grande parte da culpa foi atribuída ao professor. Um professor é formado por outros professores que também foram formados por professores, todos oriundos de um mesmo sistema cíclico e vicioso que cobra o que não ensinou, que cobra um ambiente que não proporcionou e um senso de criatividade e liberdade que não foi incentivado. Todo professor foi criança.
A inclusão das novas TICs tem sido avaliada sem profundidade pelas ações governamentais que se apegaram à máquina e esqueceram aquilo que está vivo e pode apropriar-se das tecnologias, redes e da imaginação. Mais do que tecnologia é preciso repensar que modificações comportamentais elas proporcionaram às pessoas. Redes... autonomia, compartilhamento, produção e consumo, prosumers... Não dependemos da televisão para nos atualizar, nem do jornal preferido deixado a nossa porta pela manhã, podemos mergulhar na rede e organizar as informações que queremos, direcioná-las para nossos e-mails, podemos produzir, consumir, publicar, não precisamos pedir permissão, não precisamos ler manuais, basta encontrar grupos que possam nos ensinar, debater e compartilhar dúvidas e experiências.
Em sua tese sobre a integração de mídias em ambiente digital na construção de cursos a distância para pedagogia, a pesquisadora, Profª e Drª Clausia Mara Antoneli, destaca os seguintes dados de acordo com o Educacenso 2007: cerca de 600 mil professores em exercício na educação básica pública não possuem graduação ou atuam em áreas diferentes das licenciaturas em que se formaram. Os cursos serão oferecidos tanto na modalidade presencial como a distância, pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), e alguns já devem começar no segundo semestre de 2009. Outros têm início previsto para 2010 e 2011.
A informação é de 3 anos atrás, e o que efetivamente mudou? Entre iniciativas precipitadas como a distribuição de tablets para alunos e professores, o que de fato se transformou?
Nesse infográfico podemos ver o investimento do Governo Federal na educação básica.
“Tecnologia é mato...” (Hernani Dimantas) O humano, o comportamento, as necessidades, o complexo e o profundo... Será que o professor está recebendo uma formação diferenciada para o novo mundo?
O Programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo - Univesp -, criado em 2008, tem como principal objetivo a expansão do ensino superior público, gratuito e de qualidade em todo o estado de São Paulo, através da ampliação do número de vagas e de sua abrangência geográfica.
“Trata-se de otimizar a utilização dos recursos humanos e materiais disponíveis nas universidades públicas paulistas e nas instituições parceiras, juntando-se recursos metodológicos e tecnológicos que possibilitem oferecer ensino superior público gratuito de alta qualidade para o maior número possível de estudantes do Estado”. (Site Univesp)
Para isso o programa conta com uma TV digital e aberta, cursos semi ou presenciais, encontros semanais obrigatórios, atividades em ambientes virtuais de aprendizagem, uma revista digital e um livreto. Os cursos oferecidos objetivam ampliar o número de vagas no ensino superior público de qualidade no Estado de São Paulo e, mais especificamente,capacitar professores que já atuam na educação básica. Para acessar os cursos e participar do programa os participantes primeiro precisam passar na avaliação...
Os alunos têm acesso aos conteúdos de cada curso, às ferramentas de interatividade e a um conjunto de atividades que devem cumprir em cada uma das fases do curso, as quais serão avaliadas por um tutor, que deve analisar e orientar o aluno na sequência das atividades curriculares. O cumprimento dessas atividades equivale à “presença do aluno em sala de aula no modelo de educação presencial. Mas sua presença física será exigida sempre que a programação dos cursos incluir atividades presenciais nos polos, como em aulas de laboratório ou nas avaliações (provas)”. Existe o contato online e permanente entre os tutores dos cursos e alunos ou grupos de estudo e fóruns de discussão que ocorrem em horários pré-determinados.
O que significa capacitar um professor?
ca.pa.ci.tar
(lat capacitate+ar2vtd 1 Tornar capaz. vpr 2 Ficar convencido, persuadir-se. vtd 3 Fazer acreditar, persuadir. (Dicionário Michaelis)
Precisamos torna-los capazes? Convencê-los, fazê-los acreditar? Professores que já foram alunos...
O processo para que as mudanças internas aconteçam é lento, é mais fácil aprender a estar preso do que lidar com a liberdade. Ainda mais se essa liberdade estiver mascarada em alguns aspetos. O investimento em tecnologia é importante, mas o entendimento da fluidez das redes é mais ainda. Pois o ensinar em rede existe mesmo quando não se tem a internet... O compartilhar é um elemento que se potencializa com o uso da internet, mas o processo generoso de trabalhar em coletivo é algo que não foi entendido completamente e não é a tecnologia que traz o entendimento, mas as necessidades humanas, a reflexão sobre o que estamos aprendendo e para quê?
Será que estamos apenas transferindo o ensino presencial para plataformas e mantendo o mesmo formato humano de controle, avaliação por terceiros, consumo e nada de produção coletiva?

No meio das pedras tinha um caminho?


Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.
Fonte: http://nteitaperuna.blogspot.com.br/2012/10/no-meio-das-pedras-tinha-um-caminho.html
É senso comum que a educação no Brasil passa por uma crise de qualidade. Entre os fatores apontados frequentemente como responsáveis pela situação atual estão:
  1. Um sistema de gestão de ensino excessivamente burocratizado e incapaz de dar conta das demandas e desafios contemporâneos;
  2. Condições de infraestrutura precárias em boa parte das escolas do território nacional, com exceção de algumas poucas ilhas de excelência;
  3. Uma visão de ensino que enfatiza conteúdos curriculares padronizados dentro de uma lógica própria da Sociedade Industrial e, que no momento atual, encontram-se defasados e dissociados da realidade do estudante já vivendo os desafios da Sociedade em Rede (quer goste da ideia ou não);
  4. Sistemas de avaliação a partir de métricas e provas que na maioria das vezes refletem apenas a capacidade do aluno para memorizar e reproduzir o que lhe é dado em detrimento da avaliação efetiva de seus potenciais de desenvolvimento e competências adquiridas para a vida;
  5. Deficiências na formação, capacitação e atualização de professores aliadas a condições de trabalho precárias, dadas tanto pela baixa remuneração como pelos próprios processos de organização e monitoramento das atividades docentes nas organizações de ensino existentes;
  6. E a lista continua, passando por condições sociais, econômicas e culturais das famílias, às quais se atribui uma não participação efetiva na educação dos filhos. Um pouco mais além, a lista de responsáveis chega até à sociedade que se mostra distanciada dos ideais de meritocracia e conhecimento como elementos constituintes de seu sistema de valores.
  7. Para complicar só mais um pouco, tudo isso acontece em um cenário de instabilidades próprias das transformações aceleradas e com grandes mudanças nos padrões de consumo, produção e difusão de produtos, serviços e conhecimentos, frutos dos impactos das novas tecnologias de comunicação e informação. Trata-se de um profundo reordenamento das relações sociais, redefinindo os campos de exclusão/inclusão e que não espera pelos retardatários. É possível continuar colecionando pedras no caminho por anos a fio, num jogo infinito de culpas e des(-)culpas. É possível encontrar caminhos entre as pedras, aprender a escalar ou contorná-las, ou ainda, derrubar muros e construir castelos como sugerem alguns poetas. Ou ainda como Sísifo (*), que condenado a rolar pedras pela eternidade, diante do absurdo de sua existência, encontra em cada grão dessa pedra, em cada estilhaço, um mundo.
É a partir desta perspectiva que eu gostaria de continuar refletindo sobre a condição e os desafios do professor, personagem central e verdadeira pedra angular do assim chamado sistema educacional. Ao mesmo tempo ele é entendido como orquestrador das relações entre os atores sociais dos processos de ensino-aprendizagem, (alunos, organização e sistema de ensino, pais e sociedade) e é tratado como mera engrenagem de uma imensa máquina de ensinar, que o transforma em transmissor de saberes e pseudo saberes oficiais.

Camus (novamente ele) nos lembra “que não há castigo mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.” 

Reduzido a engrenagem o professor perde sua capacidade de sonhar, pensar, pesquisar, descobrir, inventar e criar. E, por estranha transmutação, passa a se esforçar para que seus alunos adquiram a mesma competência – obedecer para sobreviver! Este tem sido o modelo dominante nascido das concepções da revolução industrial aplicadas ao campo da educação: fazer muito, de modo padronizado, com eficiência cada vez maior e uso de recursos cada vez menores (tempo e dinheiro), maximizando resultados a qualquer preço. As novas tecnologias (outra vez as TICs) trouxeram embutidas outros padrões de relações dando origem à Sociedade em Rede. O que era funcional e desejável no modelo anterior (industrial) mostra-se agora absolutamente disfuncional.
No lugar de temor ao risco, amor ao erro; em vez da padronização, valorização da diversidade; avaliação perde espaço para monitoramento e ajustes; em vez de competição, colaboração; ideais a respeito do domínio do homem sobre a natureza dão lugar aos conceitos de ecossistemas e sustentabilidade, o saber estabelecido é substituído por novos conhecimentos em velocidades cada vez maiores. 

Frente a desafios cada vez maiores e mais intensos encontra-se em xeque o papel do professor, submetido a duas fortes pressões: por um lado a dos sistemas educacionais que insistem em permanecer como sempre foram e por outro lado, as pressões economico-sociais por mudanças urgentes.

Não se trata apenas de questões sobre atualização técnica e aquisição de novas competências pedagógicas, tecnológicas e comunicacionais. Fosse assim e estaria resolvido o problema com meia dúzia de seminários, treinamentos e tutoriais sobre “como fazer”, bem aos moldes dos gurus da educação com inspiração no modelo industrial. 

Os novos tempos valorizam a inovação acima de tudo, exigem a re-invenção da arte de ensinar e aprender. E arte é acima de tudo um processo que não se subordina à lógica dos resultados em tempo e intensidades pré-determinados. Ensinar tem ciência, mas tem muito de arte também. Reconhecer a importância e encontrar os caminhos da articulação criativa entre estes dois universos distintos é o primeiro desafio.

Ninguém ensina a nadar se não souber nadar. Ninguém aprende a nadar lendo nos livros, é preciso vencer o medo da água e praticar. Um bom treinador é sempre um amante da arte. Da mesma forma, a lógica do mundo conectado não se revela para quem não ousar experimentar e surfar nele para valer! A preparação dos professores para a escola que atenda efetivamente as necessidades das futuras gerações passa por criar espaços formais de experimentação, reflexão, diálogo e colaboração, entendidos como parte integrante do trabalho docente e não apenas como atividade esporádica a ser realizada aos fins de semana e nas horas extra-classe. O mergulho nas novas tecnologias não representa mero modismo passageiro. A apropriação pelo professor das ferramentas informacionais é condição essencial para compreensão do mundo em que os seus alunos já vivem e no qual inventarão ainda muito mais. 

InovarEduca – mas para ensinar a inovar é preciso antes de tudo viver a inovação. Lamentar menos, esperar menos e existir mais como recomenda Luc Ferry. As pedras são os desafios, os caminhos são o que fazemos com elas.
Texto publicado originalmente no site Caldeirão de ideias, acesse clicando aqui.

Sobre a autora: Daisy Grisolia – web ativista com larga experiência na criação, desenvolvimento, implantação e monitoramento de projetos sócio educacionais envolvendo organizações públicas, privadas e do terceiro setor. Responsável pela articulação da rede InovarEduca (http://inovareduca.com/) em parceria com o Fórum de Inovação da Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ); Facebook: daisy.grisolia ; Twitter: @DaisyGrisolia

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

“Histórias, Analíticas e Pensamento “Aberto” – Guias para o Futuro da EAD“




Temáticas da CIAED - 18ª edição
Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) é uma sociedade científica, sem fins lucrativos, voltada para o desenvolvimento da educação aberta, flexível e a distância. Funciona desde junho de 1995 e foi fundada por educadores interessados em educação a distância e em novas tecnologias de aprendizagem. A ABED é membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, é filiada a instituições internacionais entre as quais o International Council For Open and Distance Education – ICDE e ao OCW OpenCourseWare Consortium.
objetivo maior da Associação é, portanto, o incremento do saber compartilhado em educação a distância e a certeza de que, tal modalidade educativa já é uma realidade e um paradigma educacional adequado às grandes mudanças deste milênio.
Seus objetivos principais são:
  • Estimular a prática e o desenvolvimento de projetos em educação a distância em todas as suas formas
  • Incentivar a prática da mais alta qualidade de serviços para alunos, professores, instituições e empresas que utilizam a educação a distância;
  • Apoiar a “indústria do conhecimento” do país procurando reduzir as desigualdades causadas pelo isolamento e pela distância dos grandes centros urbanos;
  • Fomentar o espírito de abertura, de criatividade, inovação, de credibilidade e de experimentação na prática da educação a distância. (Fonte)

Avaliando os temas e assuntos tratados na programação da 18ª edição do CIAED – Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, que aconteceu entre 23 3 26 de setembro deste ano, pode-se observar que nos mini-cursos oferecidos a temática da metodologia e da didática que potencialize a criatividade e a autonomia, o senso crítico e de investigação dos estudantes a partir do desenvolvimento das seguintes ações:
  • Aprofundamento do contato por meio das redes sociais da web;
  • Elaboração de vídeo-aulas interativas com sincronização automática entre os slides, vídeos, imagens e textos, permitindo ao aluno uma navegação personalizada;
  • Aprendizagem colaborativa em fóruns na web tendo como parâmetros a presença social, cognitiva e de ensino, em que o conteúdo é constantemente atualizado e resultado direto da colaboração de pares de todo o mundo;
  • Reavaliação da gestão da qualidade do ensino a distância, revisão de critérios para avaliação;
  • Utilização dos princípios vigotskianos de práxis pedagógica, para ensinar sócio-construtivismo na elaboração de projetos pedagógicos de materiais didáticos;
  • Apropriação tecnológica das ferramentas e recursos disponíveis na web 2.0;
  • Apropriação dos ambientes virtuais de aprendizagem e desenvolvimento do espaço que o liberte da condição de mero repositório de arquivos multimídia, e o direcione a um trabalho colaborativo, interativo e construído também pelos alunos;
  • Participação do educador na rede, desenvolvimento e entendimento do espaço personalizado de aprendizagem, do perfil profissional digital e da integração de ferramentas da rede que possam otimizar seus contatos na rede;
  • Estimular as 8 principais inteligências múltiplas propostas pelo professor norte-americano Howard Gardner (Lógico-matemática, Linguística, Musical, Espacial, Corporal-cinestésica, Intrapessoal, Interpessoal e Naturalista);
  • Estimular o aluno a pensar por si mesmo, utilizando a crítica não como um repertório de citações, mas sim de ações;
  • Auxiliar os educadores na elaboração de disciplinas e cursos em AVA;
  • Entender, discutir e aplicar técnicas e métodos de Acessibilidade e usabilidade no processo de ensino em AVA;
  • Conhecimentos Essenciais sobre o Pensamento Estratégico, Mídias e Novas Mídias, em marketing educacional;
  • Inclusão de equipes multidisciplinares, diferentes dimensões culturais, envolvendo entre outras: relacionamentos sociais, crenças epistemológicas, percepções temporais e representações culturais no desenvolvimento de AVAS e projetos de ensino a distância no geral;
Não só o aluno precisa aprender a desenvolver autonomia diante do ensino a distância, mas alunos e professores precisam entender o funcionamento da rede no seu aspecto humano e não apenas tecnológico. Como a movimentação de informações e colaborações funciona na rede? Com o educador (professor, coordenador, bibliotecário, instrutor, etc) deve montar seu perfil profissional e educacional e desenvolver sua comunicação nas redes sociais?
Para ambas as partes, educadores e estudantes, a rede é um ambiente novo que sofre atualizações constantemente e possui um ritmo próprio, dinâmico, em que não é preciso pedir permissão pra falar, postar, em que se pode encontrar quase tudo o que se procura. A fluidez da rede confunde muitas pessoas acostumadas a um tipo de comunicação mais passiva, com a qual nos habituamos por anos, como o rádio, a Tv, os filmes, etc. Agora que nos deram a palavra e as ferramentas, o que fazer? Bem, pode-se fazer tudo. E então, diante de tantas opções é preciso primeiro a compreensão da rede, a apropriação das tecnologias, o entendimento humano desse movimento de colaboração, e o desapego à máquina, em contrapartida à interação viva, colaborativa, que tece o conhecimento e a inteligência coletiva.


O CIAED deste ano contou com a presença de palestrantes de várias parte do mundo, o que evidencia a abertura para contribuições de todo país no processo de construção do ensino colaborativo e a distância. Clique no mapa abaixo e conheça as cidades, estados e países participantes. Se você participou da ABED, como palestrante, e não encontrou sua cidade no mapa, clique na imagem e acrescente sua localização. :)

Para conferir a programação preliminar dos vinte cursos que foram oferecidos na CIAED 2012, clique aqui.


18º Congresso Internacional de Educação a Distância (ABED)

                                        


Entre 23 e 26 de setembro, aconteceu o 18º Congresso Internacional de Educação a Distância (ABED), na cidade de São Luis, no Maranhão. A Associação Brasileira de Educação a Distância - ABED é uma sociedade científica, sem fins lucrativos, voltada para o desenvolvimento da educação aberta, flexível e a distância, criada em 21 de junho de 1995 por um grupo de educadores interessados em educação a distância e em novas tecnologias de aprendizagem. A equipe InovarEduca esteve presente para conferir os assuntos tratados nesta edição e agora você poderá conhecer um pouco do que foi falado.
O Prof. Dr. Fredric Michael Litto, Presidente da ABED, iniciou a apresentação do Programa do Congresso refletindo sobre as constantes análises e avaliações realizadas sobre a educação que geram números para que se compreenda o cenário educacional de um país. E complementa nos alertando sobre “até que ponto, no Brasil, decisões sobre essas questões são tomadas não na base de dados numéricos analisados em profundidade, mas, sim, em bases apenas intuitivas, impressionistas ou condicionadas por critérios de tradição institucional, de imposição governamental ou capricho do indivíduo no comando da entidade? Obter e estudar dados estatísticos sobre a EAD, especialmente se acumulados através de longos períodos de tempo, garantem que decisões sejam baseadas em evidência e não em improvisação”.
Presidente da ABED Prof. Dr. Fredric Michael Litto
Presidente da ABED Prof. Dr. Fredric Michael Litto

Vivemos hoje uma era de popularização das tecnologias e de abertura de códigos, sistemas, radiodifusão, e isso tem permitido uma maior participação e colaboração em projetos coletivos que tiram uma sociedade da escassez e a levam para uma era de fartura de informações, possibilidades e autonomia.
“Esses Recursos Educacionais Abertos (REAs) representam um dos mais importantes marcos de democratização do conhecimento; é o ingrediente para assegurar revitalização e expansão à EAD, que agora pode enriquecer a aprendizagem dos alunos com a contribuição de conteúdo provindo de múltiplas fontes”.
A sociedade agora foi estimulada a prosseguir com seus estudos, a tomar iniciativas para facilitar seu trabalho, sua vida, e não depende mais somente da certificação acadêmica. O processo tornou-se mais importante que o fim. Não somos números nem diplomas, mas sim somos o que podemos fazer. Somos tudo o que pudermos aprender.
Mas será o nosso país está acompanhando os demais países nessas mudanças promissoras? Quem são aqueles que não estão se beneficiando com elas? Qual é o papel da EAD com relação aos REAs? Quem são os principais contribuidores de REA no país? Como estimular uma participação maior de governos, instituições de ensino, centros de pesquisa, editoras de livros e revistas, além de outros setores da sociedade em geral?
Esses foram os temas do 18º Congresso Internacional da ABED em 2012.

O caso de Isadora Faber, a garota de 13 anos que criou uma página no Facebook intitulada Diário de Classe com o objetivo de divulgar os problemas de sua escola, também foi discutida. O caso da página foi usada indevidamente em uma campanha eleitoral, sem a autorização de Isadora nem de seus pais. Reprimida por muitos colegas e professores, Isadora contou com o apoio dos pais e com mais de 300 mil apoiadores em sua página.
O caso Isadora colocou em cheque a postura de alunos e professores diante de suas identidades. O que estão fazendo na escola? O que realmente querem e precisam? Porque nos desacostumamos a falar sobre os problemas e a trabalhar pela mudança? “Quero melhor não só pra mim, mas pra todos”. Uma garotinha precisou nos relembrar de que não precisamos pedir licença para falar, para agir.
Outro assunto abordado foi a formação continuada de professores e os desafios e entraves estruturais do sistema educacional. Mais de 350 mil professores da educação básica estão cursando ensino superior. Para que a educação continuada se fortaleça é preciso que a interação com as universidades públicas seja aumentada para estimular a formação dos professores da educação básicas em Ciências Básicas, Cursos nas áreas de TICs, Licenciaturas e outros. A Lei do Piso prevê que 1/3 do tempo dos professores precisa estar dedicada aos estudos de formação continuada.
César Callegari
César Callegari

A solução para que as pessoas possam aprender em coletivo, entendendo que todos sabem alguma coisa e podem ensinar, todos aprendem com todos em qualquer lugar. Esse é o conceito de CrowdlearningCrowd é multidão. Learning é aprendizagem. E crowdlearning é um modelo em que pessoas apaixonadas pelos mesmos assuntos aprendem e ensinam lado a lado. O termo veio de outro, “crowdsourcing”, que é um modelo de produção de baixo custo que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias. “É uma nova e crescente ferramenta para a inovação. Utilizado adequadamente, pode gerar ideias novas, reduzir o tempo de investigação e de desenvolvimento dos projetos, diminuir os custos, além de criar uma relação direta e até uma ligação sentimental com os clientes. Dois bons exemplos de produtos obtidos através do sistema são o sistema operacional Linux e o navegador Firefox, que foram criados por um exército de voluntários ao redor do mundo”. (Wikipedia).
Crowdsourcing acontece quando pessoas se unem para resolver problemas em conjunto, criar novos produtos, testarem sites, criarem conteúdo, encontrarem soluções e muito mais. E é uma tarefa feita por nós há muito tempo, não é uma novidade da internet, as cooperativas são exemplos de crowdsourcing, e alguns determinados movimentos também. (Ceschini - consultoria em Comunicação e Marketing Digital).
Em um mundo em que temos a possibilidade de fazer cursos online gratuitos, ou pagos, em qualquer lugar do mundo bastando um computador e uma linha telefônica, ou nem isso, estamos trabalhando em coletivo sem perceber. As comunidades e fóruns dos cursos, das universidades, exemplos como o Cousera, estão provando a eficiência do estudo autônomo/coletivo que supre as necessidades, demandas e ritmo próprio de cada indivíduo e que ao participar de um curso com outras pessoas ele também contribui. Cada criança e jovem que chega da escola e senta na frente do seu computador e fica navegando por horas está contribuindo com informações, opiniões, lendo e acessando infinitas informações, e muitas vezes produzindo ideias, blogs, etc. Professores e alunos não são inimigos, não há pedestais para um ou outro.
Não se trata de subir o jovem em um pedestal e servi-lo como a uma realeza. Não se trata de mimá-los e deixa-los fazer o que quiserem imprudentemente. Trata-se de eliminar os pedestais e abrir um círculo, uma roda, em que se sentem jovens e educadores, lado a lado, como uma equipe, um grupo, harmoniosamente. Precisamos reaprender a trabalhar em equipe, a ter a paciência de ouvir e esperar que o outro chegue até a resposta, sem atropelamentos, sem permitir que a autoridade diga “é isso e ponto, agora fique quieto”. E o que é a internet? O que são as redes sociais? Ali estão os círculos... ali estão as rodas de conversa, de produção, de ideias, criatividade, tudo livre do “tem que”, sem padrões, sem prazos, notas, números... apenas as pessoas e a espontaneidade de conversar, propor, aprender, contribuir, compartilhar e fazer.

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